
Assim como antes da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, Neymar segue como o assunto mais comentado na Seleção Brasileira. Desta vez, o motivo é a lesão que afastou o craque da preparação da equipe para o Mundial e que deve tirá-lo dos primeiros jogos nos Estados Unidos.
Por mais que o Santos tenha apontado à CBF que o camisa 10 tinha apenas um edema na panturrilha direita, exames realizados pela entidade observaram algo diferente. Segundo o médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, Neymar teve uma lesão grau 2 na panturrilha direita. A previsão inicial é entre duas e três semanas para retorno.
O grau da lesão indica uma ruptura parcial que afeta quase a metade das fibras musculares. No geral, ela é caracterizada por dor aguda, inchaço e perda significativa da função. O jogador tem sido visto nos treinos da Seleção sem dificuldades para andar, mas ainda sem condições de realizar as atividades.
A panturrilha é composta por três músculos, que formam o tríceps sural: sóleo (mais profundo) e gastrocnêmio (mais superficial), que é dividido em dois, e que é responsável por fornecer a maior intensidade de força na caminhada, como explica Lauro Machado Neto, ortopedista e traumatologista do Hospital Moinhos de Vento.
Apesar de não ter sido confirmado por Lasmar, a lesão de Neymar tende a ser no gastrocnêmio, já que o músculo exige cerca de 19 dias de recuperação. No caso do sóleo, o tempo é em torno de 25 dias.
Os diferentes graus das lesões musculares
- Grau 1 (leve): estiramento leve ou ruptura microscópica de algumas fibras musculares. Causa dor localizada e inchaço leve.
- Grau 2 (moderado): ruptura parcial que afeta quase a metade das fibras musculares. Causa dor aguda, inchaço e perda significativa da função.
- Grau 3 (grave): ruptura completa do músculo ou tendão. Causa dor intensa, hematomas extensos e perda quase total de função.
A recuperação
Nas primeiras 72 horas, é utilizado o chamado protocolo R.I.C.E. (Repouso, Gelo, Compressão e Elevação) que controla a dor e o inchaço. Depois, é realizado processo de fortalecimento, com elevações progressivas da panturrilha com apenas uma perna, além de exercícios com o calcanhar. As atividades em ritmo lento são responsáveis por restaurar a capacidade de sustentação do músculo.
Na sequência, começa o processo de corrida, primeiro em linha reta, para depois partir para mudanças bruscas de direção. É neste momento que entram os exercícios com cones. Por fim, Neymar será reintegrado aos treinos sem restrições. Contudo, terá minutos limitados em partidas.
As chances de nova lesão
A preocupação do momento é de quando Neymar poderá entrar em campo pela Seleção. Contudo, o jogador e a CBF terão de ficar atentos com a possibilidade de uma nova lesão, já que a panturrilha é uma região com alto índice de recidiva.
Os dois primeiros meses após o retorno são os que apresentam maior risco, embora as chances sigam elevadas por até 15 meses. No caso de um atleta, retornar à intensidade máxima antes de recuperar totalmente a força e a flexibilidade pode provocar uma nova lesão no local já tratado.
— No nosso organismo, toda lesão provoca um reparo. O músculo é um tecido onde a cicatriz pós-lesão não ocorre com formação de tecido muscular normal. O reparo da lesão ocorre com formação de tecido fibroso que não tem função de contração e tem menor elasticidade. Esses fatores também precisam ser levados em conta quando pensamos em recidiva da própria lesão ou lesões em outros locais por compensação ou sobrecarga — explicou Lauro Machado Neto.
Vale pontuar que a idade, quanto mais avançada, também é um fator de risco. No caso de Neymar, o histórico extenso de lesões anteriores é outra questão que pode dificultar um retorno no período esperado ou provocar uma nova lesão na volta.


