
Raphinha, da Seleção Brasileira. Do Barcelona. Sobretudo, Raphinha, da Restinga. Suas raízes brotaram e se espalharam pela Europa e pelo mundo, mas seguem fincadas no extremo sul de Porto Alegre. Dos campos de várzea de uma das regiões mais pobres de Porto Alegre à segunda Copa do Mundo.
No fim do ano passado, o atacante da Seleção Brasileira fez mais uma vez a conexão Barcelona-Porto Alegre para promover o Natal Solidário. A ação resultou em um grande evento com distribuição de presentes, alimentos, shows e entretenimento, em especial, para tantos guris que, assim como ele, nasceram na região e alimentam o sonho de brilhar nos grandes palcos.
— A Restinga é a minha casa. É o lugar que me tornou a pessoa que sou hoje. Poder proporcionar um Natal para a comunidade onde nasci é muito importante — enfatizou.
Raphinha, do samba. Por anos foi figurinha carimbada na bateria da Estado Maior da Restinga, uma das maiores escolas de samba de Porto Alegre. Tocava caixa. A relação com samba vem do lado materno. A avó e a mãe eram envolvidas com a escola.
— Apareceu ele e o irmão dele, o Rafinha e o Bruno. Ainda estava iniciando no futebol. Depois, não tinha uma presença constante nos ensaios por causa do futebol. O último desfile dele foi em 2015. Um cara que até hoje tem uma atenção, um carinho muito especial pela escola, pela bateria. Nos ajuda. Ele é a pessoa que está representando a Restinga na Copa do Mundo — explica mestre Guto, mestre de bateria da escola.
Era uma turma boa aquela do futebol na Tinga. Raphinha jogou por equipes locais como Cobal, o Udinese F.C. e o Monte Castelo. Desta leva, também saiu Yan Sasse, ex-Coritiba e Vasco.

Longe do radar dos grandes clubes
Na Copa passada, quando foi convocado pela primeira vez, a reportagem de Zero Hora acompanhou o anúncio dos relacionados por Tite junto com a família de Raphinha. Baixada a adrenalina, Rafael, seu pai, sentou e relaxou. Contou sobre as dificuldades da família de boleiros, como ele e seu irmão, para Raphinha chegar ao topo do futebol mundial.
O impacto causado pelo jogador no mundo da bola nunca foi imediato. Até os 17 anos, passou longe do radar dos grandes clubes brasileiros. Quando entrou, era tarde demais. Já estava na Europa iniciando a carreira. Portugal, França, Inglaterra. Até chegar na Espanha.
O Raphinha, do Barcelona, não teve um início explosivo nos meses que precederam o Mundial do Catar. Eram seus primeiros dias na Catalunha. Em sua segunda temporada, incrementou suas médias. Na terceira, obteve números mais encorpados do que os de quando Neymar vestiu a camisa blaugrana.
— Eu acho que eu senti mais pressão naquela Copa de 22 do que na atual. Em 22, cheguei muito imaturo. Estava em período de adaptação na Seleção e sentia que não estava totalmente adaptado. Agora me sinto muito mais preparado pelo meu momento no clube e por entender o meu lugar na Seleção — disse Raphinha, em entrevista já nos Estados Unidos.
O Raphinha, da Seleção, foi eleito pela rede de TV americana NBC como o sétimo jogador mais valioso desta Copa do Mundo. São tantos Raphinhas. Todos brotaram das raízes do Raphinha, da Restinga.
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