
Quando desembarcou nos Estados Unidos em 1995, aos 18 anos, Grecco Buratto não fazia ideia de onde aquela decisão o levaria. Nascido em Caxias do Sul e criado em Taquara, no Vale do Paranhana, ele deixou o Rio Grande do Sul para estudar música em Los Angeles. Mais de três décadas depois, divide o palco com alguns dos maiores artistas do planeta e construiu uma carreira que parece roteiro de cinema.
Nada aconteceu da noite para o dia. Os primeiros anos nos Estados Unidos foram marcados por trabalho duro e adaptação. Para conseguir se manter em um dos mercados mais competitivos do mundo, Grecco fez de tudo um pouco. Precisava pagar as contas, juntar dinheiro e criar condições para seguir perseguindo o sonho de viver da música.
Enquanto isso, continuava estudando, tocando e buscando oportunidades.
Uma das portas que se abriram naquele período foi a música religiosa. Durante anos, ele tocou em cultos e eventos ligados a igrejas nos Estados Unidos. Aos poucos, os contatos foram surgindo. Vieram novas conexões, novos trabalhos e a reputação de um músico talentoso e confiável começou a se espalhar.
O grande ponto de virada, porém, depois de por uma Copa do Mundo.
Depois do Mundial da África do Sul, em 2010, a música Waka Waka transformou a cantora colombiana Shakira em um dos símbolos daquele torneio. Com o fim da Copa e o sucesso mundial da canção, a artista decidiu reformular parte da banda que a acompanhava nos palcos.
Oportunidade que mudou a vida
A oportunidade chegou até Grecco por meio de uma amizade. O baterista da banda conhecia o gaúcho e indicou seu nome para a vaga de guitarrista. O brasileiro entrou em um processo seletivo que reuniu cinco músicos. No fim, foi o escolhido.
A partir dali, sua vida mudou. Grecco passou a integrar a turnê mundial da cantora justamente no período em que Waka Waka ainda ecoava pelo planeta. Foram apresentações em diversos países. Segundo ele, participou de cerca de 110 dos 118 shows realizados naquela série.
O músico gaúcho, que anos antes fazia trabalhos para sobreviver em Los Angeles, agora percorria o mundo nos maiores palcos da indústria do entretenimento.
Depois da experiência com Shakira, outras oportunidades surgiram naturalmente.
Vieram trabalhos e apresentações ao lado de Roberto Carlos, incluindo turnê e gravação. Em 2016, participou de projetos com a cantora Gwen Stefani. Desde 2022, integra a banda de Lionel Richie, um dos nomes mais importantes da música internacional.

Hoje, além da carreira nos palcos, Grecco também é sócio de um estúdio recém-inaugurado na região de East Los Angeles. O espaço reúne equipamentos raros, instrumentos vintage e peças que carregam décadas de história da música.
Entre uma lembrança e outra da trajetória construída longe do Brasil, o gaúcho costuma voltar mentalmente ao ponto de partida.
—Toda vez que eu subo no palco, penso de onde eu vim e onde eu cheguei — afirmou.
A frase resume uma jornada iniciada no interior do Rio Grande do Sul e que atravessou continentes, turnês mundiais e encontros improváveis.
Uma história que passou pela Copa do Mundo, pelo sucesso de Waka Waka e pelos maiores palcos do planeta, mas que começou muito antes disso, quando um jovem de Taquara decidiu embarcar para Los Angeles em busca de um sonho.



