
Foi num vestiário do Lincoln Stadium, casa do Philadelphia Eagles, campeão do futebol americano em 2024, que Carlo Ancelotti e Gabriel Magalhães concederam a obrigatória entrevista coletiva pré-jogo. Um lugar tão familiar para atleta e treinador não foi suficiente para deixá-los à vontade.
O técnico, mais experiente, malandro, tentou aliviar o ambiente, brincar, deixar a situação melhor. O zagueiro, não. Respostas protocolares, quase todas começando com "como falei antes", mesmo que não tenha falado nada antes.
Ancelotti carrega consigo os 24 anos desde o último título mundial, mesmo que ele tenha chegado há 12 meses à Seleção e que recém tenha disputado um jogo de Copa do Mundo. Sua experiência em suportar a pressão o deixa calejado para esse tipo de momento.
— Quero deixar claro que é um privilégio estar aqui. Tenho de controlar a pressão e tenho experiência pra isso. Fomos críticos com nossa atuação e temos de buscar soluções. Trabalhamos nesses dias para solucionar isso e vamos conseguir. A Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo. Sigo confiante que a equipe vai ser competitiva — disse Ancelotti.
A impressão na sala de imprensa improvisada e lotada é de que ele estava louco para falar qual time jogará contra o Haiti às 21h30min (horário de Brasília) nesta sexta-feira (19). Só não o fez porque, segundo disse, ainda não comunicou aos jogadores. Fará isso ao longo do dia. Mas confirmou que já sabe quem escalar.
Indicou, nas entrelinhas, que os pendurados Ibañez e Casemiro podem deixar o time. Também abriu as portas para mais mudanças. Mas praticamente garantiu Raphinha ao elogiá-lo como "um dos melhores do mundo".
Mas foi sobre outro canhoto habilidoso que falou mais. Falou sem dizer muito, é verdade. Mas falou sobre Endrick. Gosta de como o atleta, considerado "extraordinário", aceita as condições (no caso, a de reserva) e de como a família ajuda a segurar a onda. Mostrou esperança de que o jogador, que completa 20 anos dois dias depois da final da Copa, ajudará o Brasil neste e no próximo Mundial. Só não ficou claro por que parece ser mais em 2030 do que em 2026.
De Gabriel Magalhães saiu pouco. Nenhuma palavra memorável. Nem quando perguntado sobre o apoio da torcida, que parou uma rua inteira na Filadélfia para recebê-los. O lado bom é que certamente dará uma resposta melhor em campo.
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