
A Copa é do mundo, mas não para todo mundo. Ao menos nos Estados Unidos. Às vésperas da abertura da competição, um dos três países-sedes endurece a fiscalização e restringe o acesso de estrangeiros. Não apenas torcedores. Jogadores, dirigentes e árbitros enfrentam problemas para ingressar no país presidido por Donald Trump.
Pessoas ligadas a países como Irã, Iraque, Senegal e Uzbequistão estão entre os que enfrentam maiores dificuldades. O caso mais grave envolveu o árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália. Ele teve a sua entrada nos Estados Unidos negada após ser interrogado por 11 horas.
— Eu tinha os documentos certos e tudo mais. Eu tinha o visto correto. Acho que eles têm um problema com o meu país — lamentou o árbitro, em entrevista ao The New York Times.
Nesta quarta-feira (10), ele retornou à Somália, onde foi recebido com festa. Governador da província da Colúmbia Britânica, no Canadá, David Eby disse em suas redes sociais que Artan deveria ser liberado para apitar jogos no seu país.
Artan não foi o único envolvido com a Copa a passar por um longo interrogatório. O mesmo aconteceu com o atacante iraquiano Aymen Hussein. A “entrevista” durou cerca de sete horas. O jogador foi liberado para entrar nos EUA. O fotógrafo da seleção iraquiana não teve o mesmo destino. Ele foi deportado para Bagdá.
Nas redes sociais pipocaram vídeos de jogadores de Senegal e Uzbequistão sendo revistados por equipes de seguranças em aeroportos e estádios americanos.
A federação iraniana informou na terça-feira (9) que teve sua cota de ingressos foi revogada. A medida forçou torcedores do Irã sem a possibilidade de assistirem aos jogo do seu país, atualmente em guerra com os EUA.
— Até este momento, tivemos 35 equipes que vieram aos Estados Unidos. Não foi negada a entrada a nenhum jogador nem a nenhum treinador. Estamos buscando esse equilíbrio entre garantir que qualquer agente mal-intencionado que tente entrar no país sob o pretexto da Copa do Mundo não tenha acesso aos Estados Unidos — posicionou-se Andrew Giuliani, chefe da Força-Tarefa da Casa Branca, para a Copa do Mundo.
"Comportamento xenofóbico"
De acordo com a imprensa do Irã, o país ameaça interromper suas partidas durante o torneio caso cânticos xenofóbicos sejam entoados nos estádios e/ou a bandeiras do país sejam trocadas por bandeiras não oficiais.
— De um lado, há um comportamento nacionalista, até xenofóbico, em certo sentido, e de outro, um evento internacional que acolhe inúmeras nações. Vamos ver o quanto esses discursos têm alguma compatibilidade ou apresentam algum problema do ponto de vista da narrativa. Tanto no congraçamento dos povos como no evento esportivo, como do ponto de vista de um discurso de isolacionismo, de nacionalismo, como Donald Trump prega — analisa Leandro Consentino, doutor em Ciência Política e professor do Insper.
Até o momento, a Fifa não se pronunciou oficialmente sobre o tema. Ela afirma não se envolver em processos de imigração dos países-sedes.
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