
— All we need is Alisson Becker / He's our keeper, Alisson Becker
Canta Helena Becker em um inglês de uma lady, sentada no banco de trás do caro da família. A música que embala a viagem da filha de Alisson e de seus dois irmãos rumo a Anfield não sai do rádio, vem das arquibancadas, onde é sucesso entre os torcedores do Liverpool.
Paródia de Radio Gaga, do Queen, a música conta a história do goleiro comprado com o dinheiro da venda de Philippe Coutinho. Seguidor da dinastia de camisas 1 dos Reds como Ray Clemence, Elisha Scott, Bruce Grobbelaar, a estirpe de Alisson é outra. No sábado (13), contra Marrocos, formará um trio ao lado de Gilmar dos Santos Neves e Taffarel. São os únicos goleiros titulares do Brasil em três Copas do Mundo.
Campeão em 1958 e 1962, Gilmar foi titular em duas das três partidas brasileiras em 1966. No último jogo, Manga assumiu a posição. Anos depois, o goleiro dos dedos tortos se tornaria o primeiro grande nome da Era moderna do gol colorado.
Escola colorada de goleiros
Nos anos 1980, vieram Gilmar Rinaldi e Taffarel. Os dois estavam no elenco tetracampeão em 1994. Taffarel ainda disputou as Copas de 1990 e 1998.
O trabalho de lapidação da proteção da meta do Inter começou com Luiz Carlos Schneider, o primeiro preparador de goleiros do clube. Teve continuidade em Benítez. O mundo das luvas é pequeno, porque contou também com Marquinhos Trocourt, hoje auxiliar de Taffarel na preparação de goleiros da Seleção.
Taffarel disputou 18 partidas em três Copas. Ao lado de Dunga, está em terceiro lugar no ranking de mais jogos pelo Brasil no torneio. Os líderes são Ronaldo (19) e Cafu (20).
Alisson tem nove partidas. Se o Brasil chegar à final e ele atuar em todos os jogos, chegará aos 17 jogos.
—Trabalhar com o Taffarel é uma inspiração para todo goleiro. Eu sempre disse que ele é um espelho para mim dentro e fora de campo — exaltou Alisson quando foi convocado pela primeira vez, em 2015.
A história entre a Seleção e Alisson se inicia no meio do sono. Era um dia sem treino pela manhã no Beira-Rio.
— Eu ligo para ele na hora. O Alisson estava dormindo, não estava nem acompanhando a convocação. Ele atende o telefone e eu digo: “o goleiro da Seleção Brasileira dormindo?!”. E ele: “como assim?”. Foi uma loucura a partir daquele momento — conta Daniel Pavan, preparador de goleiros do Inter em 2015, ano da convocação.
Goleiros de seleção em uma van
Além de Alisson, Dunga chamou para os amistosos contra Costa Rica e Estados Unidos, em setembro de 2015, Marcelo Grohe e Jefferson. Grohe, Alisson e Muriel, irmão mais velho de Alisson, vinham treinar em Porto Alegre transportados pela mesma kombi.
Pavan e Alisson fizeram toda a trajetória das categorias de base coloradas. Chegaram praticamente juntos aos profissionais. Estavam lado a lado quando Alisson assumiu a titularidade em 2014, contra o Fluminense.
Tinha nas luvas algumas partidas como profissional. Não se incomodou em jogar pelo time B. Todos os goleiros da equipe de baixo não tinham condições de jogo.
O pedido de ajuda foi feito primeiro a Agenor, terceiro goleiro do time principal. Resposta negativa. Alisson se prontificou a quebrar o galho. Quando Abel Braga perdeu Dida, expulso, e o lesionado Muriel, a hierarquia se inverteu.
Pelo ritmo de jogos das partidas no time B, Alisson foi o escolhido. Dida voltou a ter condições de jogo e ficou no banco de reservas. O gol do Inter tinha novo dono.
Este ano, Alisson completou oito anos no Liverpool. Levantou as principais taças. Em parceria com Van Dijk, Mohamed Salah e Sadio Mané formaram um quarteto tão famoso quanto aqueles outros meninos de Liverpool. Afinal,
— Tudo o que precisamos é de Alisson Becker / Ele é o nosso goleiro, Alisson Becker.
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