
A Costa do Marfim e o Senegal jogarão pela primeira vez uma Copa do Mundo sem poder enviar delegações de torcedores de seus países. A razão: a política migratória restritiva do governo Donald Trump bloqueou a concessão de vistos para cidadãos de diversas nações africanas que tentavam viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo 2026.
— Os Estados Unidos foram claros conosco ao dizer que não queriam ver nossos torcedores — afirmou Julien Kouadio Adonis, presidente do Comitê Nacional de Torcedores dos Elefantes (CNSE), organização que geralmente coordena as viagens de marfinenses para grandes competições.
O CNSE atua sob a supervisão do Ministério dos Esportes da Costa do Marfim. Nas três participações anteriores do país em Copas do Mundo — 2006, 2010 e 2014 — e também na Copa Africana de Nações, a entidade havia enviado dezenas de torcedores ao exterior.
Pequena delegação oficial e diáspora como alternativa
Apenas um pequeno número de funcionários do CNSE recebeu autorização para viajar para os Estados Unidos.
Em suas participações anteriores na Copa do Mundo (2006, 2010 e 2014) e para a Copa Africana de Nações, esta organização havia enviado dezenas de marfinenses para torcer pela seleção.
O papel dessa pequena delegação será "acompanhar os torcedores marfinenses radicados nos Estados Unidos", observa Kuaido, acrescentando que, mesmo para esse grupo reduzido, "obter vistos tem sido tudo, menos fácil. Foi preciso discutir e negociar para sermos ouvidos".
A Costa do Marfim terá, portanto, que contar apenas com torcedores da diáspora, cujo número é estimado pelo CNSE em 1 mil.
Senegal também desiste de enviar delegação oficial
O Senegal enfrentou o mesmo obstáculo. O Ministério dos Esportes do país tentou, ao menos, enviar os presidentes das organizações de torcedores — todas financiadas pelo Estado —, mas os pedidos de visto foram rejeitados.
— Desde que o Senegal começou a participar da Copa do Mundo, esta é a primeira vez que não enviamos uma delegação de torcedores devido a complicações na concessão de vistos pelos Estados Unidos — lamentou Ndèye Dome Thiouf, assessora de comunicação do Ministério dos Esportes do Senegal, em declaração à AFP.
— Pessoalmente, estou decepcionado. Acho que organizar uma Copa do Mundo não deveria causar tantos problemas — disse Pepe Mass Gueye, presidente da torcida organizada Lebougui, cujo pedido de visto foi negado.
Ingressos para a diáspora senegalesa
Para apoiar os "Leões de Teranga", o governo senegalês fornecerá 400 ingressos por jogo a cidadãos do país que já residem nos Estados Unidos.
— Seu ingresso não é um visto — havia alertado este ano o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.
Árbitro somali também foi barrado
O caso dos torcedores não é isolado. O árbitro Omar Artan, da Somália, teve o visto negado e foi deportado dos Estados Unidos no início da semana, ficando impedido de apitar na Copa do Mundo.
A situação acendeu um alerta sobre os efeitos da política migratória de Trump na própria organização do torneio.
A Copa do Mundo 2026 é disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. A fase de grupos começa nesta quinta-feira, 11 de junho.

