
Qualquer resposta de Raphinha na entrevista desta quarta-feira (10) ficará em segundo plano. Nos quase 20 minutos em que encontrou o batalhão de repórteres, cada vez maior conforme se aproxima a Copa do Mundo, o atacante gaúcho não fugiu das perguntas, contou bastidores da concentração, analisou a relação com Ancelotti. Mas o maior dos momentos ocorreu quando perguntou ele aos jornalistas:
— Vocês entenderam o que ele perguntou?
Raphinha foi, além de ponteiro, armador e atacante, intérprete. O questionamento do repórter escocês que acompanha a Seleção veio em inglês, sobre o período em que o guri da Restinga jogou no Leeds e desenvolveu grande amizade com Liam Cooper, então capitão da equipe, um dos líderes da Escócia, terceira adversária na fase de grupos.
Depois das risadas que arrancou dos repórteres brasileiro, e de realmente traduzir a pergunta, respondeu em português que o conterrâneo do jornalista britânico foi fundamental para sua adaptação à Inglaterra, de onde deu o salto para chegar ao Barcelona.
Estar na Catalunha fez de Raphinha um jogador mais seguro de si. Ele admitiu que em 2022 não estava pronto para a Copa do Mundo. Não tinha como ser líder naquela época. E reconheceu que possivelmente é mais admirado na Europa do que em sua terra natal.
— Sinto que é diferente o carinho dos brasileiros na comparação com quem me acompanha lá fora. Saí muito cedo do país, não me conectei com nenhum clube, então é normal. Não posso julgar o gosto das pessoas, tá tudo bem. Mas se tenho que me provar para alguém, é para meus pais, minha esposa, meu filho — disse.
Sobre a experiência em Copa do Mundo, compartilha um aprendizado:
— Uma competição assim é traiçoeira, qualquer falha termina com tudo. Não podemos cometer erros.
A maturidade se viu quando Zinho, camisa 9 no Tetra, fez uma pergunta sobre seu posicionamento. Nem mesmo um ídolo, como era possível ver no olhar de admiração, recebeu alguma resposta que entregasse a escalação. Também conhecia Chico Moedas, repórter da CazeTV bem popular entre a gurizada. E brincou com Tomer Savoia, que além de repórter é aquele torcedor que aparece com fantasia em todos os jogos da Seleção.
A pergunta era sobre o que acontece nos minutos em que a imprensa não pode ver, brincou:
— Se eu pudesse contar, acho que deixariam vocês verem, né?
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