
Foi naquele gol de Gerd Müller, aos três minutos do segundo tempo da prorrogação, que o futebol se perdeu de casa. Era uma tarde mexicana quente de 1970. Sob o ar climatizado nas condições ideais de temperatura e pressão do AT&T Stadium, em Dallas, a Inglaterra inicia nova tentativa de montar a bússola capaz de levar o futebol para casa outra vez.
Empecilhos para impedir que os ingleses voltem a ser campeões mundiais não faltam. Mesmo antes de entrar em campo contra a Croácia, a partir das 17h, os ingleses enfrentaram complicações nesta Copa do Mundo.
Até aqui o time de Thomas Tuchel enfrentou o roubo de bolas e materiais de treinamento, um terremoto de magnitude 6,1 na escala Richter, dois tiroteios nas proximidades de onde a equipe está hospedada em Kansas City e o corte de um jogador do elenco. E Modrić nem apareceu do outro lado do campo, em duelo pelo Grupo L, ufa, o última a estrear nesta Copa de 48 seleções e 12 chaves.
Campeão mundial em 1966, a Inglaterra entra com o status reduzido em relação às duas Copas anteriores, ainda que siga com Harry Kane. O faz-tudo inglês vive a sua temporada mais profícua. São 61 gols em 51 partidas pelo Bayern de Munique.
Sem favoritismo
Pela quarta vez no século, a federação inglesa recorre a um técnico estrangeiro para reconquistar o mundo da bola. Sven-Göran Eriksson, duas vezes, Fabio Capello e, agora, Tuchel.
O técnico alemão foi polêmico em sua convocação. Deixou de fora veteranos e estrelas como Cole Palmer (Chelsea), Phil Foden (Manchester City), Trent Alexander-Arnold (Real Madrid)e Harry Maguire (Manchester United). Aronald sequer foi chamado para a vaga de Tino Livramento, cortado por lesão na véspera da partida. Trevoh Chalobah, do Chelsea, foi o escolhido.
— Não somos grandes favoritos. Não podemos ser, pois já se passaram muitos anos desde a nossa última conquista. Há vencedores consagrados no torneio, com mais sucesso em competições recentes. Eles são os favoritos — vacinou-se Tuchel.
Não chegar como favorito e ir longe está entre as preferências da Croácia. O país nunca esteve entre os mais cotados. A falta de fé externa nunca impediu campanhas marcantes, como duas semifinais e uma final.
O grupo ainda conta com Gana e Panamá. Será um longo caminho caso o futebol resolva voltar para casa.
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