
Foi um jogo de quartas de final na primeira rodada. Inglaterra e Croácia fizeram, no AT&T Stadium, em Dallas, o melhor jogo desta primeira fase. Com gols, refino técnico e disputas táticas. Deu os ingleses, 4 a 2. Foram dois gols de Kane, um de Bellingham e outro de Rashford. Baturina e Musa descontaram.
Por mais de 100 minutos, entregaram um senhor espetáculo para os 70.389 torcedores presentes. Essa partida foi só um aperitivo do que virá ali na frente, de uma Copa que recém fecha sua primeira semana.
Os Cowboys abriram as portas de Dallas para ingleses e croatas. O que eles têm aqui em Arlinton, na região metropolitana de Big D, como eles chamam, tem tudo de estádio, mas parece um teatro de esportes.
A começar pela cobertura e a climatização. O verão no Texas dá um sol para cada um e ainda faz promoção de leve o segundo grátis também. Os branquelos vindos da ilha do Rei Charles e os branquelos vindos dos bálcãs, recém saídos do inverno, tostaram no calor de 34ºC.
O pior, vou te dizer, nem é o calor, embora ele transforme o concreto das ruas em chapa quente. O pior mesmo é a umidade. O combo faz com que, à tarde, a temperatura bata em 34ºC, 35º facilmente (para eles, 93 Fahrenheit). Mas tem dias que bate em 100 Fahrenheit, me disse um local. Ou seja, 37ºC, algo como Porto Alegre no verão.
Climatização no estádio
Porém, ao se pisar no estádio do Dallas Cowboys, é como se entrar em um oásis. O teto fechado mantém a climatização, e todos puderam assistir ao jogo bem confortáveis nos 80 mil assentos. O ponto é que o jogo, aqui, começou às 15h, e tanto croatas quanto ingleses já tinham tomado um bocado de cerveja. A climatização chegou tarde. Embora eles também tenham se antecipado. Pouco antes das 10h, já havia torcedor circulando na região central com seu copo na mão.
A cerimônia de abertura da Fifa ficou ainda mais bonita no AT&T Stadium. O telão de 50 metros de comprimento e os dois menores de cerca de 10 metros cada, deixam a sensação de estar no sofá da sala. O gramado foi trocado. Era sintético e, para entrar o natural, o piso ficou mais alto. Abaixo dele, todo um sistema de ventilação e drenagem.
Foi nele que os torcedores viram Modric demorar um segundo na área para tirar a bola. No futebol de hoje, isso é eternidade. Madueke tomou-lhe a bola como um foguete, e o chute do croata só encontrou suas pernas. O árbitro nem hesitou.
O futebol, por pouco, não tornou dois craques em dois vilões no mesmo lance. Kane cobrou, e Livakovic defendeu. Os croatas piraram, os ingleses viram fantasma de 2022 e o VAR recolocou tudo no lugar.
Kane já havia errado nas quartas contra a França, em 2022. Seria peso demais para o membro da Ordem do Império Britânico, honraria entregue pelo Príncipe Willian em 2019. O VAR percebeu que Livakovic havia se adiantado, mandou voltar, e Kane fez 1 a 0.
A Croácia estava bem, marcava em cima e não permitia que a Inglaterra acionasse a velocidade de Madueke. Aliás, aqui está bem claro o caminho físico do futebol. Tomas Tuchel comprou briga com a Inglaterra inteira ao deixar de fora nomes consagrados como Maguire, Arnold e Phil Foden por terem terminado a temporada abaixo.
Suas escolhas foram todas baseadas no físico. Madueke é um tanque e, por isso, joga ele e não Saka, mais leve e inventivo. A exceção que ele abre de jogador mais virtuoso é Bellingham. Dá gosto vê-lo em campo. Ele parece trotar nas nuvens, bate na bola com elegância e faz ela correr no seu tempo.
A Inglaterra baixou suas linhas e passou a apostar na potência de Madueke. Além disso, colocou Declan Rice a marcar Modrić. Rice tem o cabelo arrumadinho, é bom jogador, mas passa um ar daquele guri que fazia os temas adiantados e ainda ajudava a professora na aula. Deve ser chato ser marcado por alguém tão obediente. Tudo corria bem até que Baturina baixou para armar, tocou em Susic e pediu de volta.
O chute de fora da área teve leve desvio, mas Pickford deu sua contribuição. Os croatas gostam de fazer gol de fora da área, sabemos disso. Eram 35 minutos. Porém, aos 42, bola no trator Madueke, Gvardiol cortou para escanteio. Na cobrança, a Inglaterra usou algo que mudou a Premier League, a movimentação de bola parada. Todos correram antes. Kane, uma fração de segundo depois. Logo, ele subiu livre e fez 2 a 1.
Só que há algo na Croácia, uma marca, uma herança de um povo com cicatrizes das guerras tantas dos Bálcãs. Esses croatas são resilientes. Não desistem.
No último lance do primeiro tempo, a bola chegou em Perisić, ele desviou de cabeça e Musa fez o 2 a 2. Assim, todos foram para o intervalo. Perderam os comerciais do telão e a sensação de estar na sala de casa. Os croatas voltaram bem quando o sistema de som (home theater, quase) começou a tocar Eye of the Tiger.
Inglaterra resolve no segundo tempo
Só que quem voltou com olhos de Tigre, quase Rock balboa, foi a Inglaterra. Fez 3 a 2 com Bellingham, com passe mágico de Anderson. Perdeu mais um com Konsa (escanteio, o movimento aquele), e Livakovic emendou cinco defesas, sendo quatro delas aos pares. A torcida inglesa percebeu e veio junto. Modric, cansado, saiu para Kovacic aos 12. A essa altura, a Inglaterra tinha 18 arremates contra quatro dos croatas.
O técnico croata Zlatko Dalić fez as cinco trocas, colocou atacante no lugar de zagueiro. Tomas Tuchel tirou Madueke, Gordon e Rice. A Croácia ficou mais aprumada, Lembra de que falei da resiliência?
Foram para cima, pressionaram e fizeram Pickford trabalhar. Mas aí veio um contra-ataque. Saka acionou Rashford, e esse liquidou o melhor jogo da primeira rodada. Os Cowboys certamente gostaram do que viram.
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