A experiência da Copa do Mundo passada, os seis anos de Europa, os quatro de Newcastle e a consolidação no time de Carlo Ancelotti fizeram Bruno Guimarães assumir também a missão de liderar a Seleção.
Com outros companheiros, claro. Mas com voz ativa. O volante que apareceu no futebol no Athletico-PR vive um momento mais maduro do que em 2022. E matou no peito a primeira entrevista após o corte de Wesley.
Foi justamente a pergunta que abriu a coletiva. Como o corte do lateral-direito afetava o ambiente. Bruno falou sobre a tristeza do grupo e saiu uma frase de efeito:
— Já tínhamos mil. Agora, ganhamos um motivo a mais para correr.
Mas um bom líder não lamenta só a saída de um companheiro. Ele precisa receber o substituto. Sem cair na polêmica da convocação de Ederson, um volante como ele no lugar de um lateral:
— Ele é um grande jogador, vem para nos ajudar. Vamos desejar o melhor.

Bom aluno
Se é verdade que o futebol europeu ensina, Bruno Guimarães mostrou ser um ótimo aluno. Em duas respostas, aplicou conhecimentos sobre tática, técnica e história.
Foi quando o tema mudou para as mudanças no desenho da equipe. Ancelotti testou, e aparentemente aprovou, um time com três jogadores no meio-campo. Escolhendo as palavras, para evitar mal-entendidos, o camisa 8 explicou o que significam essas alterações, para o bem e para o mal:
— Ter um jogador a mais no meio foi interessante, teve mais dinâmica de tabela. Tivemos mais chances para marcar gols, só pecamos nas finalizações. Tenho entrosamento com o Paquetá desde o Lyon. O Mister (Ancelotti) pede marcação alta, o gol (contra o Egito) foi assim, pressionei o cangote dele. Ainda precisamos melhorar. Temos de defender melhor o um-dois. Não achar que o cara que passou a bola não vai buscar depois.
História
A parte tática encontrou a história na pergunta sobre uma formação alternativa. Nela, Ancelotti deixaria sair sua verve italiana e baixaria as linhas em busca do contragolpe perfeito:
— Naquela segunda Champions que ele venceu com o Real Madrid, eles jogaram com linhas baixas e contra-ataques. Estamos trabalhando nisso também. Essa variação é muito importante.
Respeito aos rivais
Um líder também precisa respeitar seus oponentes. Nas duas perguntas em inglês, uma de um jornalista escocês, outra de um marroquino, mostrou o que sabe do primeiro e do último adversários da fase de grupos, inclusive dando um pitaquinho sobre a polêmica principal.
— É uma das melhores equipes do mundo, até agora não sabemos se Marrocos foi campeão ou não da Copa Africana de Nações (Marrocos foi declarado campeão após decisão do tribunal, que considerou que Senegal abandonou o campo na decisão, mesmo que a partida tenha sido disputada até o final).
Bronca da esposa
No papel de liderança, Bruno Guimarães valorizou quem o ajudou a chegar até aqui. E não só sobre Ancelotti. Falou sobre a mulher, Ana Lídia, que lhe deu uma bronca quando quis antecipar a volta ao futebol (veja vídeo abaixo) após uma lesão somada a uma caxumba que lhe tirou dos gramados por três meses. E sobre sua equipe de apoio, que registra em fotos e vídeos sua carreira:
— É muito importante poder mostrar para meus filhos, para os mais jovens, com vídeos e fotos. Quando éramos pequenos, ouvíamos as histórias. As imagens vão ajudar a contar tudo, ser assunto em uma mesa de Natal.
E um líder também precisa defender os seus. Quando soube que algumas pessoas do futebol, como Olise, da França, e Hugo Sánchez, ex-craque mexicano, opinaram com desdém sobre a Seleção, dilatou a pupila, olhou atentamente e respondeu:
— Nessa época, muita gente faz coisa para aparecer. O Brasil em qualquer competição entra para vencer. Temos jogadores nos melhores times do mundo. Nos clubes, todos sabem e nos sentimos respeitados. Estamos no bolo.
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