
Poucos torcedores no mundo podem falar com tanta autoridade sobre Copas do Mundo quanto o gaúcho Nicolas Galanos, 90 anos.
O morador de Santana do Livramento acompanha a Seleção Brasileira in loco pela 15ª vez consecutiva e conversou com Zero Hora na Filadélfia horas antes da chegada da Seleção para o jogo contra o Haiti, marcado para esta sexta (19).
Com a experiência de ter acompanhado os três últimos títulos mundiais do Brasil — em 1970, 1994 e 2002, Nicolas disparou contra a edição atual.
— Posso dizer que é a pior.
Logística complicada
A crítica não tem relação com o desempenho da Seleção Brasileira, mas sim com a logística enfrentada pelos torcedores nos Estados Unidos. Segundo ele, os deslocamentos longos, os problemas de transporte e as dificuldades para acessar os estádios tornam esta Copa a mais complicada que já viveu.
E a melhor?
Em contrapartida, o veterano torcedor aponta a Copa do Catar, em 2022, como a sua melhor experiência em Mundiais.
Confira a entrevista de Galanos a Zero Hora:
O que leva o senhor a acompanhar 15 Copas do Mundo?
Eu gosto muito de futebol, gosto de viajar e, graças a Deus, sempre tive saúde.
Qual foi a melhor seleção brasileira que o senhor viu jogar?
A de 1970, certamente. Tinha o Pelé, o Gérson... Aquela seleção era diferente.
Entre tantas histórias acumuladas em 15 Copas, qual é a lembrança mais marcante?
Os títulos que eu vi. Ganhei no México, em 1970, nos Estados Unidos, em 1994, e também no Japão, em 2002.
O que está achando desta Copa do Mundo de 2026?
Posso dizer que é a pior.
Por quê?
Porque está muito difícil. Hoje fiquei duas horas tentando comprar uma passagem de trem. Depois ainda levamos mais uma hora para chegar. Tive de pagar 100 dólares para conseguir transporte. Foi tudo muito complicado.
Então ela está abaixo das outras que o senhor acompanhou?
Sem dúvida.
O senhor esteve na Copa de 1994, também nos Estados Unidos. Era diferente?
Muito diferente. Era tudo muito mais organizado. Não tem comparação.
Qual foi a melhor Copa que o senhor viu em termos de organização?
A do Catar.
Por quê?
Porque era tudo muito bem organizado. Os estádios eram próximos, tudo funcionava direitinho. Para mim foi a melhor.
E o que está achando da Seleção Brasileira?
Ainda é cedo para dizer. Se empata, todo mundo acha que está ruim. Se ganha, dizem que tem obrigação de ganhar. Mas não pode chegar nas quartas ou semifinais e ser eliminada de novo.
Quem o senhor considera o principal candidato ao título?
A Argentina continua muito forte. O Messi ainda faz diferença. Agora, se ele sair do time, acho que eles perdem muito.
Pretende continuar acompanhando Copas?
Enquanto tiver saúde, vamos seguindo. Quando o Brasil cair fora, eu volto para casa.
Mas esperamos que isso demore bastante.
Claro. Espero que o Brasil siga por muito tempo.
Copa do Mundo 2026
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