
Claro que é meio óbvio afirmar que uma partida de futebol é composta por dois tempos distintos. Mas no caso da estreia da Seleção na Copa, o desempenho em diferentes níveis de atuação nas duas etapas foi determinante para o empate em 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, na noite de sábado (13).
E Carlo Ancelotti enxergou isso. Foi esse o tom adotado pelo irritadiço treinador na coletiva após a partida. Uma estreia em Copa sempre traz com ela um nível a mais de tensão. Houve, inclusive, um breve desentendimento com um oficial da Fifa, por conta do protocolo, logo após o apito final.
— Por que eu preciso fazer isso agora? Por que fazer isso? Por que não me dar um pequeno tempo para eu descansar? — protestou, com semblante irritado.
Um pouco (mas não muito) mais calmo, o treinador seguiu com poucas palavras na coletiva. Ele reconheceu o primeiro tempo ruim, mas viu margem para evolução:
— No primeiro tempo, não jogamos bem. Temos que acertar mais. Mas temos bem claro o que precisamos melhorar. Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo — afirmou.
A atuação abaixo chamou a atenção, inclusive, da imprensa internacional. De "caça-fantasmas" a "salvador", Vini Jr. foi considerado protagonista. Ele falou sobre o gol e o desempenho:
— Consegui fazer o gol, mas acredito que eu posso melhorar muito ainda. Ajudar mais o Brasil na parte ofensiva. A gente tem que melhorar, evoluir, porque precisamos jogar melhor para ganhar a Copa — assegurou.
O fator ansiedade

A tensão da estreia, inevitavelmente, afetou o ambiente. Igor Tiago, que teve atuação apagada, foi questionado sobre o nervosismo afetar o desempenho:
— Talvez sim. Acho que faz parte. A maioria aqui está na primeira Copa. Mas os mais velhos têm abraçado a gente — afirmou.
O centroavante, aliás, foi uma das surpresas de Ancelotti. O italiano chegou a ser perguntado sobre a decisão. Mas se recusou a fazer avaliações nome a nome:
— Não estou aqui para falar individualmente dos jogadores. Temos que acertar mais — resumiu.
Vini Jr. concordou com o companheiro de ataque sobre a tensão na primeira partida:
— Nesse início de jogo, o peso da estreia sem dúvida é o que fez a gente jogar dessa maneira — reconheceu.
As lições para o próximo jogo
Agora, o Brasil deixa para trás Nova Jersey e o empate contra o Marrocos, e já começa a pensar na segunda partida. Na sexta-feira (19), às 21h30min, a segunda rodada do Grupo C: o adversário é o Haiti.
No segundo tempo, Ancelotti fez modificações. Ibañez e Casemiro deram lugar a Danilo e Fabinho, respectivamente, já no intervalo. Depois, foi a vez de Matheus Cunha e Luís Henrique serem chamados aos lugares de Paquetá e Igor Thiago. Por fim, Danilo Santos entrou na de Bruno Guimarães.

Endrick, no entanto, ficou no banco. O autor do gol de vitória no último amistoso, contra o Egito, e um dos mais pedidos entre os titulares, não foi a campo no MetLife.
Apesar da melhora, Ancelotti não deu pistas sobre quem segue ou quem sai do time. Questionado, limitou-se a elogiar os atletas:
— (A ideia é) aproveitar todo o elenco. A escalação inicial não é a que terminou o jogo. Quem entrou fez bom jogo — garantiu.
Neste domingo (14), uma atividade regenerativa está marcada para quem iniciou a partida. Na segunda (15), um treino no CT de Columbia Park para Ancelotti começar a definir os novos rumos para a Seleção na Copa do Mundo.
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