Que sofrimento! Que alívio! Que camisa pesada! Nos acréscimos, o gol salvador de Gabriel Martinelli fez o Brasil ganhar de virada do Japão, por 2 a 1, pela segunda fase da Copa do Mundo e avançar às oitavas de final.
Diante de 68.777 torcedores, a Seleção sobreviveu na Copa do Mundo porque já ganhou esse campeonato cinco vezes. O hexa ainda é possível.
O início do jogo teve a situação exatamente invertida na comparação com a partida passada. Se contra a Escócia o Brasil dominava as ações pelo espaço, deixando a bola para os adversários, contra o Japão, a posse era brasileira, em busca do buraco na defesa bem postada do adversário. Era tentativa de controlar ou armadilha?
A Seleção teve uma conclusão, com Bruno Guimarães, em que a bola desviou e saiu por pouco. Teve outra com Matheus Cunha, recebendo de Bruno, girando e batendo, grande defesa de Suzuki.
Mas então o Japão escapou da pressão brasileira uma vez, aos 14 minutos. Pelo lado esquerdo, foi achando brecha, avançando e Casemiro teve de fazer uma falta na entrada da área. Não deu nada na cobrança, a não ser um cartão amarelo para Casemiro, mas foi a senha de que os adversários haviam encontrado uma saída. E isso mudou o cenário do confronto.
Era uma armadilha. O Japão deixava o Brasil ter a falsa sensação de controle e esperava o bote, que veio aos 28 minutos.
Danilo errou um passe inaceitável para um jogador de sua experiência, no meio do campo, com a defesa saindo. Kaishu Sano ficou com a bola, avançou, deixou Casemiro para trás (lembram do cartão amarelo?) e acertou um chute perfeito, rasteiro, no canto, na bochecha da rede, que um esticado Alisson não pôde salvar. O Japão fez 1 a 0.
O que os colunistas de GZH disseram sobre o jogo
A festa da torcida japonesa impressionou. Eles, que já não paravam antes, aumentaram os decibéis na proporção da festa dos reservas, que invadiram o gramado para comemorar.
A atitude brasileira foi de tentar não se abalar. O time partiu para o ataque, procurando espaços que seriam cada vez mais escassos. Vini Jr recuperou uma bola na entrada da área, mas a equipe não teve refino para concluir. Mas claramente o gol foi um soco no queixo. E o Japão administrou o resultado inclusive trocando passes.
Virada no segundo tempo
Durante o intervalo, Endrick voltou para o campo e ficou aquecendo. Ancelotti tirou o aparentemente lesionado Paquetá e colocou a promessa de 19 anos para se juntar a Vini, Rayan e Matheus Cunha. A torcida veio junto com a troca, Endrick era a renovação da esperança.
A chance do empate veio aos seis minutos. Vini Jr inverteu a bola para Danilo. O cruzamento foi na medida, Bruno Guimarães cabeceou da marca do pênalti e Suzuki fez um milagre.
No lance seguinte, o milagre foi coletivo. Um cruzamento de Rayan foi no segundo pau onde estava Vini Jr. O goleiro saiu mal. Vini ajeitou para o meio, Douglas Santos cabeceou e a bola bateu em dois japoneses e, sabe-se lá como, não entrou.
Seria na bola aérea. Foi aos 10 minutos. Um cruzamento da esquerda, no segundo pau, Casemiro, sozinho, e sem que Suzuki saísse, acertou uma cabeçada fulminante: 1 a 1.
Aos 12 minutos, Vini Jr. faria o gol da Copa do Mundo. Ele recebeu um lançamento apertado, mas no domínio, deu uma janelinha no adversário. E aí tinha campo aberto. Arrancou, freou, entrou na área, driblou de novo e bateu com o lado de fora do pé. Suzuki deu um leve desvio, e a bola pegou na trave.
O Japão sentiu o empate por alguns minutos, mas depois voltou a fazer seu jogo. Esperava o Brasil, recuperava e contragolpeava. Em um desses, Kamada obrigou Alisson a defender em dois tempos.
Ancelotti fez a segunda troca. Martinelli entrou no lugar de Matheus Cunha.
O jogo não fluía mais. Nem pelo Brasil nem pelo Japão. Até a torcida japonesa, tão barulhenta, esfriou. A brasileira pedia Neymar mas sem tanta convicção. A tensão aumentava e a cara de prorrogação ficava cada vez mais nítida.
O Brasil teve duas oportunidades. Na primeira, Rayan bateu uma falta forte, um zagueiro cortou para trás, no susto. Na segunda, Vini Jr chutou e um desvio de leve fez a bola sair.
Nos acréscimos, Casemiro, também lesionado, deu lugar a Fabinho.
Estava desenhada a prorrogação até Martinelli receber na área e tirar Suzuki do lance. A bola ainda deu na trave antes de entrar. A camisa envergou o varal.
COPA DO MUNDO — FASE 16 AVOS — 29/06/2026
BRASIL (2)
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho, 47’/2ºT), Bruno Guimarães (Danilo Santos, 51’/2ºT) e Lucas Paquetá (Endrick, INT); Rayan, Vini Júnior e Matheus Cunha (Gabriel Martinelli, 21’/2ºT).
Técnico: Carlo Ancelotti
JAPÃO (1)
Suzuki; Tomiyasu, Taniguchi e Ito; Doan (Sugawara, 20’/2ºT), Sano, Junya Ito (Machino, 32’/2ºT), Kamada (Tanaka, 32’/2ºT) e Nakamura (Junnosuke Suzuki, 20’/2ºT); Ueda e Maeda (Ogawa, 51’/2ºT).
Técnico: Hajime Moriyasu
GOLS: Sano (J), aos 29 min do 1ºT; Casemiro (B), aos 9min do 2ºT, e Martinelli (B), aos 49min do 2ºT;
AMARELOS: Casemiro (B), Danilo (B), Sano (J), Kamada (J) e Suzuki (J);
LOCAL: NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos;
PÚBLICO: 68.777 pessoas;
ARBITRAGEM: Maurizio Mariani, auxiliado por Daniele Bindoni e Alberto Tegoni (trio italiano). VAR: Stephane De Almeida (SUI).
PRÓXIMO JOGO
COPA DO MUNDO – OITAVAS DE FINAL
BRASIL X NORUEGA OU COSTA DO MARFIM
5/7/2026 - 17H, EM NOVA JERSEY
Tabela da Copa do Mundo 2026
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