
Desde a criação em 1930, a Copa do Mundo não mudou apenas de campeões — alterou formato, estrutura e ambição. O torneio, que hoje movimenta bilhões e reúne quase todo o planeta, começou com um modelo simples, experimental e, por vezes, caótico.
Ao longo de quase 100 anos, a Fifa revisou regras e fórmulas diversas vezes, refletindo transformações políticas, econômicas e esportivas.
Faltando duas semanas para a abertura do 23º Mundial entre seleções, Zero Hora traz como a competição passou mudanças cruciais no decorrer das suas respectivas edições.
1930: o torneio experimental
A primeira Copa do Mundo, no Uruguai, foi um verdadeiro laboratório. Com apenas 13 seleções convidadas — sem eliminatórias — o torneio teve quatro grupos, cujos líderes avançavam às semifinais. Era simples, mas desigual: havia grupos com três e outros com quatro equipes.
Ainda assim, nascia a lógica que persiste até hoje — fase de grupos seguida de mata-mata. A seleção uruguaia acabou ficando com a Taça Jules Rimet, idealizador do evento.
1934 e 1938: mata-mata puro
Na Itália, em 1934, com 16 seleções, o modelo virou eliminatório desde as oitavas. Quem perdesse, saía após um jogo. Mantido em 1938, no Mundial da França, desta vez com 15 equipes, o formato seria considerado extremo hoje. Em ambas as edições o título ficou com os italianos.
1950: o formato mais incomum
Após a pausa da Segunda Guerra Mundial, a Copa no Brasil, com 13 nações participantes, aboliu a final: os líderes de grupos disputaram um quadrangular final em pontos corridos. O Uruguai foi campeão no “Maracanazo”. Até hoje, permanece como a única edição sem uma final.

1954 a 1978: consolidação e experiências
Com 16 seleções, a Copa do Mundo ganhou estabilidade: grupos e depois mata-mata. Porém, nas duas edições realizadas nos anos 1970, a Fifa testou dois grupos finais em vez de semifinais — um modelo logo abandonado.
Neste período, a Alemanha foi campeã em 1954 (na Suíça) e em 1974 (em casa). Em 1958 (na Suécia), 1962 (no Chile) e 1970 (no México) foi a vez do Brasil de Pelé e companhia conquistarem a taça. O título de 1966 acabou ficando com a Inglaterra, enquanto o de 1978 com a Argentina. Em ambas edições as seleções também eram os países-sedes.
1982 a 1994: expansão para 24 seleções
O Mundial da Espanha, em 1982, foi vencido pela Itália e trouxe pela primeira vez 24 equipes, fase de grupos inicial, segunda fase de grupos e semifinais. Em 1986, no México, veio a fórmula simplificada com seis grupos, classificação de terceiros e oitavas de final. O torneio ficou com a Argentina - ou com Maradona, se preferir.
O formato se repetiu nas duas edições seguintes, em 1990, na Itália (vencida pela Alemanha) e em 1994 (conquistada pelo Brasil).

1998 a 2022: era moderna com 32 seleções
Com 32 seleções, oito grupos e mata-mata desde as oitavas, a Copa alcançou equilíbrio entre espetáculo e disputa. Esse formato ficou até 2022, no Catar.
Em 1998, o Mundial foi conquistado pelos franceses, anfitriões do evento. Quatro anos depois, no primeiro torneio realizado na Ásia e com dois países-sedes (Coreia do Sul e Japão), a taça foi erguida por Cafu e brasileiros.
Em 2006, na Alemanha, deu italianos. Na primeira Copa do continente africano, em 2010, um campeão inédito: Espanha. No Brasil, deu Alemanha (eles de novo).
Já na Rússia em 2018 e Catar em 2022, o título voltou a ficar com França e Argentina, respectivamente.
2026: a maior revolução
Canadá, Estados Unidos e México sediarão a Copa com 48 seleções — recorde histórico. Serão 12 grupos, classificação de 32 equipes, segunda fase antes das oitavas e 104 jogos no total. A expansão amplia a representatividade global, incluindo mais países.
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