
Muitos jogadores que passaram por Grêmio e Inter e jogaram Copas do Mundo. Alguns chegaram ao Mundial enquanto defendiam os dois clubes. Outros depois de irem em busca de novos desafios. Há um grupo deles que primeiro disputaram o maior torneio de futebol do planeta para depois atuarem na Dupla Gre-Nal.
Faltando um mês para Carlo Ancelotti divulgar os 26 convocados do Brasil, Zero Hora apresenta uma lista de 10 jogadores que desembarcaram em Porto Alegre após terem disputado a Copa.
Ancheta
Facchetti, Beckenbauer e Bobby Moore estavam entre os mais festejados defensores da Copa de 1970. Mas o melhor zagueiro daquele Mundial foi um charrua. Atilio Genaro Ancheta foi considerado o principal jogador da posição a pisar naqueles campos mexicanos. No lance em que Pelé aplica uma meia-lua sem tocar na bola no goleiro Mazurkiewicz, Ancheta é o jogador a aparecer na cobertura e atrapalhar a jogada do brasileiro.
No ano seguinte, ele chegou ao Olímpico. A fama da Copa não rendeu dividendos financeiros. O Nacional vivia crise financeira e atrasava salários. Jogou no Grêmio entre 1971 e 1980. Fez história em 428 jogos com a camisa tricolor e conquistou três títulos gaúchos.
André Cruz

Zagueiros de alto nível não faltavam no futebol brasileiro no final dos anos 1980. A lista quilométrica não impediu André Cruz de ter o seu espaço. Nunca foi figura constante na Seleção, mas teve convocações esparsas entre 1988 e 1998, quando foi chamado por Zagallo para a Copa da França. A concorrência com Aldair, Júnior Baiano e Gonçalves não permitiu a sua utilização no torneio.
A carreira iniciada na Ponte Preta teve passagens, entre outros, por Flamengo, Napoli, Milan e Inter. O clube gaúcho o contratou no processo de reformulação do elenco para a temporada 2003. O time de Muricy Ramalho atuava com três zagueiros, Fernando Cardozo, e Sangaletti completavam o trio campeão gaúcho. No ano seguinte, encerrou a carreira no Goiás.
Branco

A perna esquerda potente de Branco estufou muitas redes ao redor do mundo e tinha duas Copas do Mundo quando passou pelo Grêmio. A bomba contra a Holanda nas quartas de final da Copa de 1994 estava eternizada ao defender o Inter em 1995. É um dos casos de primeiro brilhar fora do Rio Grande do Sul e depois vestir as camisas da Dupla Gre-Nal.
Formado pelo Guarany de Bagé no início dos anos 1980, Cláudio Ibrahim Vaz Leal partiu sem escalas na Capital para o Fluminense, no Rio de Janeiro. Rodou por Itália e Portugal antes de fechar com o Grêmio em 1993. Aqueles dias não foram dos mais exitosos. Apenas 11 jogos. Tempo suficiente para marcar quatro vezes e ser campeão gaúcho.
Retornou ao Fluminense, passou por Flamengo e Corinthians antes de jogar pelo Inter. Outra passagem curta. Foram 15 partidas e dois gols.
Dida

Tudo que havia para ser feito embaixo das traves havia sido feito por Dida. Multicampeão por Cruzeiro, Corinthians e Milan. Três Copas do Mundo, com um título e uma a delas como titular. Estava aposentado quando retornou ao futebol para defender a Portuguesa em 2012.
No ano seguinte, Marcelo Grohe estava pronto para ser titular do gol gremista. A pedido de Vanderlei Luxemburgo, o goleiro, então com 40 anos, trouxe suas luvas para a Arena. Em uma temporada, disputou 60 partidas.
No ano seguinte, não trocou de casa, mas mudou de estádio. Assumiu a meta colorada. Após a titularidade, disputou apenas uma partida em 2015, antes de, em silêncio, se aposentar. Ergueu os troféus de campeão gaúcho em 2014 e 2015.
Edu

Nem Pelé atingiu o feito de Edu. Aos 16 anos, o ponta foi convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa de 1966, o mais jovem da história da Seleção. Foi um dos tricampeões em 1970 e um dos que foram ao Mundial de 1974. Outro jogador com um míssil nos pés.
Ídolo do Santos, foi emprestado ao Corinthians e, depois, ao Inter em 1977. Em três meses de Beira-Rio, não repetiu os gols dos tempos de Vila Belmiro. Logo partiu para jogar no México.
Forlán

Durante o reinado de Diego Forlán como melhor jogador de uma Copa do Mundo, o uruguaio defendeu o Inter. Na Copa de 2010, nem holandeses nem espanhóis, os finalistas na África do Sul, tiveram o craque do torneio.
As atuações em solo africano não se repetiram na Inter de Milão e, em uma fria tarde de sábado de 2012, o uruguaio desembarcou no Salgado Filho para ser apresentado como jogador do Inter. Permaneceu no Beira-Rio até 2013, quando se transferiu para o Cerezo Osaka. Seus 22 gols ajudaram os colorados em dois títulos gaúchos.
Gilberto Silva

Em uma mesma semana de junho de 2011, o Grêmio apresentou três contratados. O mais lustroso deles, o volante Gilberto Silva. Com três Copas no currículo, o volante trouxe experiência e seu futebol elegante para o Grêmio por duas temporadas.
Pentacampeão em 2002, o meio-campista também marcou época como jogador do Arsenal. Aos 35 anos, encaminhava o fim da carreira após passagem pelo Panathinaikos. Ao fim de 2012, assinou com o Atlético-MG para encerrar a carreira. O atacante Miralles e o meia Marquinhos foram os outros jogadores anunciados naquele inverno de 2011.
Goycochea

Um fenômeno era Sergio Goycochea. Ao menos na disputa por pênaltis da Copa de 1990. A Argentina chegou à final aos trancos e barrancos pelas quatro defesas do goleiro no desempate. Ele também esteve entre os convocados para o Mundial dos Estados Unidos, mas ficou no banco de Isla.
Um ano depois de esquentar o assento na terra do Tio Sam, vestiu uma camisa multicolorida para defender o Inter entre 1995 e 1996. Os reflexos não eram mais os mesmos. Sem atuações memoráveis, não renovou contrato e abriu espaço para o promissor André Döring.
Leão

Três anos como guardião do gol gremista não foram suficientes para Telê Santana levar Emerson Leão para a Copa do Mundo de 1982. O goleiro foi preterido pelo titular Waldir Peres e pelo reserva Paulo Sérgio. Antes de aportar no Olímpico, esteve no elenco do tri em 1970 e foi titular nas edições de 1974 e 1978.
De personalidade forte, Leão tinha feito história em Palmeiras e Vasco na década de 1970. Entre 1980 e 1982, ajudou o Grêmio a romper as divisas do Rio Grande do Sul na conquista do Campeonato Brasileiro de 1981. Depois de deixar o clube, apareceu na lista de Telê para o Mundial de 1986. Na época estava no Palmeiras.
Suárez

Se Forlán foi o craque, Luis Suárez foi o ídolo uruguaio em 2010. Nas quartas de final da Copa da África, o atacante uruguaio foi dublê de goleiro e defendeu o gol que daria Gana um lugar nas semifinais. O pênalti foi desperdiçado, e o Uruguai se classificou nos pênaltis. El Pistolero sequer imaginava um dia defender o Grêmio.
Passaram as Copas de 2014 (a da mordida), 2018 e 2022 até o centroavante defender as três cores em 2023. Entre farpas e alegrias, marcou 29 vezes com a camisa gremista.
Bônus
Além de Leão, Edu e Everaldo, outros dois tricampeões de 1970 vestiram as camisas da dupla Gre-Nal. Em 1975, Dario se consagrou artilheiro e campeão brasileiro pelo Inter. Em 1979, Paulo Cézar Caju teve a sua primeira passagem pelo Grêmio. Foi contratado para a disputa do Mundial contra o Hamburgo, em 1983, e mais um punhado de jogos.
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