
Aquela ideia de que uma Copa do Mundo sem a Itália não é uma Copa do Mundo parece ter ficado no passado. Em 2026, será o terceiro Mundial sem a Azurra, tetracampeã do mundo, sendo a última vez em 2006.
Nesta terça-feira (31), a seleção foi derrotada pela Bósnia e Herzegovina no segundo jogo da repescagem europeia nas penalidades. Mais uma vez, o fantasma dessa fase atormentou os italianos, que não resistiram fora de casa.
Nas duas últimas eliminatórias, a Itália também caiu na repescagem. Em 2017, foi derrotada pela Suécia por 1 a 0. Já em 2022, foi derrotada pela modesta Macedônia do Norte, que depois seria eliminada por Portugal.
A ausência na Copa reflete o enfraquecimento do futebol italiano nos últimos anos. Depois da conquista em 2006, a seleção disputou as Copas de 2010 e de 2014, mas caiu na fase de grupos.
Zero Hora separou três motivos para justificar a ausência da Itália em mais uma Copa do Mundo.
Geração de poucas estrelas
O público do futebol se acostumou a ter na Itália um sinônimo de grandes jogadores. Da geração de Giuseppe Meazza até o time liderado por Fabio Cannavaro, os italianos sempre tiveram jogadores de renome no elenco, algo que não se repete nos últimos anos.
Entre os titulares que enfrentaram a Bósnia, são poucos os jogadores incontestáveis em suas equipes, como é o caso de Donnarumma (Manchester City), Dimarco (Inter de Milão) e Barella (Inter de Milão). De resto, são jogadores de destaque em seus clubes, em sua maioria italianos, mas sem prestígio mundial.
No título de 2006, a Itália tinha no ataque, por exemplo, nomes como Del Piero, Totti e Luca Toni. Em 2026, o torcedor teve de se contentar com Retegui, Moise Kean e Pio Esposito.
Liga enfraquecida
Outro reflexo da má fase da seleção está na decadência do Campeonato Italiano, que está longe de ser a principal liga do mundo, como já foi em outras décadas. Em relação ao continente, por exemplo, o último time do país a conquistar a Champions League foi a Inter de Milão, na temporada 2009-2010.
No período, Juventus e a própria Inter de Milão somaram dois vice-campeonatos, mas não chegaram a conquistar a taça. Desde então a Espanha ficou com oito títulos, a Inglaterra com quatro, a Alemanha com dois e a França com um.
Ciclo de treinadores
É evidente que o planejamento da Federação Italiana de Futebol também foi decisivo para mais um vexame da seleção. Foram três técnicos no ciclo de quatro anos, o que dificultou uma sequência no trabalho executado.
Primeiro foi Roberto Mancini, responsável pelo título da Eurocopa de 2020, mas também pela não classificação para a Copa de 2022. Em agosto de 2023, Luciano Spaletti assumiu o cargo, mas permaneceu apenas até a metade de 2025.
Quando Gattuso foi anunciado, a Itália já sofria para perseguir a Noruega no grupo das Eliminatórias e teve de se contentar com a repescagem. Campeão do mundo em 2006 como jogador, o ex-volante não era um técnico consolidado para assumir a bronca.




