
Há exatos 100 dias da maior Copa do Mundo da história, a primeira a ser disputada em três países e com 48 seleções participantes, o clima é de incertezas, tensão e medo. Ao menos esses são os cenários atuais nos Estados Unidos e no México, que juntos com Canadá formam a sede conjunta do Mundial.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, os EUA vivem um período de forte turbulência social em razão da intensificação das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), contra imigrantes ilegais no país. A agência imigratória do país foi responsável por operações em larga escala, mortes de civis e um clima de militarização nas cidades, que aumentaram muito nas primeiras semanas de 2026.
Em janeiro, protestos aconteceram em diversas cidades após tiros disparados por agentes de imigração, especialmente em Minneápolis, Portland e Nova York. Essas manifestações foram motivadas por uso excessivo de força, prisões em massa e mortes de civis durante as operações federais.
Além da crise motivada política de imigração, no último sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque conjunto ao Irã, país classificado para o torneio de junho e julho. O ataque matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e chefes militares do país também morreram em bombardeios.
Enquanto isso, no México, o clima é de medo após forças especiais matarem o homem mais procurado do país, o narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes.
Mais conhecido como "El Mencho", ele foi morto no último dia 22 de fevereiro, pouco depois de ser capturado em meio a um sangrento tiroteio no Estado mexicano de Jalisco.
Confira a seguir como está a situação política nos dois países vizinhos, que mais uma vez serão sedes do maior torneio de futebol do planeta.
Política trumpista tensiona a Copa
Com os EUA sediando grande parte da competição, a política migratória rígida do governo Trump se tornou preocupação para organizadores, torcedores e delegações internacionais.
Isso porque os organizadores das cidades-sede da Copa reconheceram que a repressão migratória do governo estadunidense pode impactar a preparação e a operação do torneio, criando incertezas sobre entrada de torcedores e até questões de segurança.
Um dos temores é justamente as operações migratórias da ICE, que podem afetar imediações de estádios, trabalhadores temporários do evento e turistas durante a Copa do Mundo, gerando clima hostil.
Somado a isso, Trump impôs restrições a diversas nações, incluindo 19 países afetados por ordens iniciais e 39 no total após expansões, dificultando a entrada de torcedores — inclusive de países participantes como Haiti (adversário do Brasil no Grupo C) e Irã.
O que é a ICE?
A ICE (Immigration and Customs Enforcement ou em português Serviço de Imigração e Alfândega) é uma agência federal dos Estados Unidos criada em 2003 com a missão de fazer cumprir as leis de imigração e proteger a segurança nacional. Suas atividades incluem localizar, deter e deportar imigrantes sem autorização ou que tenham violado regras migratórias, além de conduzir investigações relacionadas a tráfico de pessoas, contrabando, fraude de vistos e crimes financeiros ligados a organizações internacionais.
Participação do Irã na Copa é incerta
Os Estados Unidos e Israel realizaram, no último sábado (28), um ataque conjunto contra o Irã, atingindo Teerã, capital do país e diversas cidades, deixando 555 mortos e 747 feridos, segundo organização humanitária Crescente Vermelho. Entre as vítimas confirmou‑se a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Fontes iranianas também relataram a morte de comandantes de alto escalão da Guarda Revolucionária, embora sem confirmação independente.
De acordo com Washington e Tel Aviv, o ataque tinha como objetivo destruir o programa nuclear iraniano, eliminar ameaças consideradas iminentes e proteger aliados e tropas americanas. Israel classificou o Irã como uma “ameaça existencial”, justificando sua participação na operação. A ofensiva desencadeou retaliações iranianas com mísseis contra Israel e bases dos EUA na região, ampliando o risco de escalada militar no Oriente Médio.
Em meio ao agravamento do conflito, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, declarou em uma emissora estatal que a participação do Irã na Copa do Mundo se tornou improvável. Segundo ele, os ataques afetaram de forma significativa o cenário esportivo do país.
— Com o que aconteceu hoje (sábado) e com o ataque dos Estados Unidos, é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte (Fifa) que devem decidir sobre isso — disse o presidente.

México vive dias de medo após morte de narcotraficante
Desde o último dia 22 de fevereiro, quando o governo mexicano confirmou a morte de "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma intensa onda de violência tomou conta do país. Logo nas horas seguintes ao anúncio oficial, o México foi atingido por uma série de ataques coordenados conduzidos por membros do cartel em retaliação, espalhando rapidamente bloqueios, incêndios e confrontos armados por diversas regiões.
Em pouco tempo, mais de 250 bloqueios foram registrados em rodovias e áreas urbanas de cerca de 20 estados, com veículos, lojas e até agências bancárias incendiadas, provocando paralisações generalizadas e afetando profundamente o cotidiano das cidades. A violência levou à morte de quase 60 pessoas, entre civis, soldados e suspeitos, intensificando o clima de medo.
O impacto no pré-Copa
Cidades inteiras, como Guadalajara, uma das sedes mexicanas na Copa 2026, ficaram praticamente paralisadas, com aulas suspensas, serviços de transporte interrompidos e cenas de pânico em aeroportos, onde relatos de tiros e alertas de segurança fizeram passageiros se abrigarem às pressas. Em algumas regiões, o cenário se transformou em algo semelhante a “cidades fantasma”, com ruas vazias e fumaça espalhada pelo ar devido aos incêndios.
Essa explosão de violência desencadeou preocupações imediatas sobre o impacto na realização do torneio, que o país sedia pela terceira vez na história. Cidades que receberão jogos do torneio, como Guadalajara e Monterrey, estão entre as mais afetadas ou próximas de áreas de influência do CJNG, levantando dúvidas sobre as condições de segurança para torcedores, delegações e profissionais envolvidos no evento.

Cotidiano afetado
Comércios foram fechados, aulas suspensas, dificuldades de locomoção e voos cancelados contribuem para um sentimento crescente de vulnerabilidade. Em muitas cidades, o ambiente emocional é descrito como de desgaste, medo profundo e incerteza, com comparações feitas a uma espécie de “guerra interna localizada”.
Contudo, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tranquilizou a população:
— A paz, a segurança e a normalidade estão sendo mantidas no país — disse.
Todavia, a população vive um clima de apreensão desde o início dos ataques. Moradores de regiões afetadas relatam que só deixam suas casas quando absolutamente necessário, temendo serem surpreendidos por novos bloqueios, tiroteios ou ações violentas.
Taça chegou em Guadalajara sob forte esquema de segurança
Na última sexta-feira (27), a taça da Copa chegou a Guadalajara, marcando o início de um tour por nove cidades que antecede o Mundial de 2026. A passagem pelo país ocorre sob um forte esquema de segurança, reforçado após a recente intensificação da violência associada ao narcotráfico.
Contudo, mesmo diante desse contexto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reafirmou à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, sua plena confiança no México como um dos anfitriões do torneio. Durante a cerimônia de recepção do troféu, o chanceler Juan Ramón de la Fuente declarou que o país está preparado para receber seleções e torcedores:
— O México está pronto para receber todos os visitantes. Equipes e torcedores podem ter certeza de que serão acolhidos de braços abertos — afirmou la Fuente.
Quer mais notícias e vídeos da dupla Gre-Nal, de futebol pelo mundo e de outras modalidades? Siga @EsportesGZH no Instagram e no TikTok 📲


