
Antes de mais nada, é preciso dizer que não há sinal oficial de que a Fifa tire a Copa do Mundo 2026 do Canadá, Estados Unidos e México por motivos de falta de segurança e conflitos geopolíticos.
A entidade tem cláusulas para remarcar ou realocar partidas, inclusive todo o torneio, em último caso, por força maior ou questões de saúde e segurança. Porém, segue afirmando confiança nos anfitriões, principalmente no México, conforme apontou o presidente da Fifa Gianni Infantino, em ligação com a presidente do México Claudia Sheinbaum, após onda de violência no país norte-americano.
— Ele me garantiu a realização do Mundial no nosso país e concordamos que uma equipe da Fifa virá de todo modo para revisar várias questões — , explicou a chefe de Estado mexicana.
Neste cenário, em discussões nas redes sociais, o Brasil vem aparecendo como hipótese emergencial, tanto pela infraestrutura de 2014 quanto por ser a sede mais recente fora de um conflito armado. Contudo, cabe frisar que não há negociações para trazer a Copa para cá.
O que diz o regulamento da Fifa?
O Regulamento da Copa do Mundo 2026 autoriza a Fifa a “cancelar, remarcar ou transferir uma ou mais partidas (ou toda a Copa) a seu exclusivo critério, inclusive por força maior ou por preocupações de saúde, segurança ou proteção”. Essa é uma base que permite desde ajustes pontuais de sede de jogo até, no limite, a realocação do evento inteiro.
Na prática, a Fifa trata esse poder como último recurso e, publicamente, tem reiterado “plena confiança” nos países-sede, mesmo após episódios recentes de violência no México e questionamentos sobre a prontidão operacional na região.
A entidade máxima do futebol mundial afirma que “permanece neutra em assuntos de política e religião”, mas diz que “exceções podem acontecer em relação a assuntos afetados pelos objetivos estatutários”.
Por ser um torneio com três sedes, o primeiro na história e com 48 seleções participantes, o caminho mais simples seria remanejar partidas dentro da própria organização (por exemplo, dos EUA para Canadá e México, ou de uma cidade para outra), já que o regulamento fala em “uma ou mais partidas”.
As chances do Brasil
Não há nenhuma indicação oficial de transferência para o Brasil, mas o país surge nas conversas algumas razões, como experiência recente em megaeventos (Copa 2014 e Rio-2016) e infraestrutura básica existente — argumento que voltou à tona quando o país foi escolhido sede da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Vale destacar que entre as sedes mais recentes, o Brasil está fora de um conflito armado. A Rússia, anfitriã em 2018, está suspensa do futebol internacional desde fevereiro de 2022 por causa da invasão da Ucrânia, o que a retira do radar de qualquer solução de curto prazo. Já o Catar, organizadora em 2022, por ser no Oriente Médio e próximo ao Irã, além das denúncias de mortes e trabalho escravo nas obras do Mundial passado, também não seria uma opção plausível.
Todavia, não existe regra que determine uma volta automática à sede anterior em caso de emergência. Essa é uma tese recorrente nas redes sociais e sem sustentação nos documentos da Fifa. Isto é, o Brasil entra como alternativa plausível, porém remota, dentro de cenários — e só se a Fifa julgasse necessário mudar partidas em larga escala (ou o torneio todo).
Os atuais problemas das sedes
México
A morte do líder do CJNG, “El Mencho”, desencadeou episódios de violência e bloqueios com reflexos diretos em Guadalajara, cidade-sede de quatro jogos. O governo mobilizou Força Aérea e Guarda Nacional, e a Fifa informou que enviaria missão para revisar segurança e mobilidade.
Estados Unidos
O bombardeio estadunidense no Irã, as políticas da ICE (agência migratória), a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e a vontade de Donald Trump em controlar a Groenlândia colaboram para a discussão de uma saída improvável dos Estados Unidos.
Catar (2022)
O ciclo da Copa anterior foi marcado por relatórios de abusos e mortes de trabalhadores migrantes. No legado de arenas, o Estádio 974 foi criado como modular/desmontável, símbolo de um modelo temporário ainda debatido quanto ao uso pós‑torneio. A proximidade do país do Oriente Médio com o Irã torna-se um ponto negativo.
Rússia (2018)
Desde fevereiro de 2022, a Fifa e a Uefa suspenderam seleções e clubes russos “até nova ordem”, após a invasão da Ucrânia — condição que inviabiliza qualquer cenário de curto prazo envolvendo o país.
O caso Colômbia 1986
A Colômbia foi escolhida em 1974 para sediar a Copa do Mundo 1986, mas abriu mão em 1982 por incapacidade de atender às exigências, que ficaram mais pesadas após a expansão do torneio para 24 seleções.
Em 20 de maio de 1983, o Comitê Executivo da Fifa recolocou a edição, e o México foi confirmado novamente, assim como em 1970, como sede. Foi única vez em que o Mundial mudou de mãos após a escolha.
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