
A três meses da Copa do Mundo, a participação do Irã é incerta. O motivo é o conflito militar envolvendo o país e os Estados Unidos, uma das sedes, inclusive das três partidas da seleção iraniana na primeira fase. Até o momento, nenhuma posição sobre uma possível desistência do Mundial foi publicada.
Contudo, recentemente, o presidente da Federação Iraniana de Futebol concedeu uma entrevista em que afirma ser "improvável olhar para a Copa do Mundo com esperança". Mehdi Taj já não pôde estar presente no sorteio dos grupos, em dezembro, pois não teve o seu visto aprovado.
Da mesma forma, na semana passada, o Irã foi o único país classificado a não ter um representante em um evento da Fifa nos Estados Unidos voltado para reuniões e workshops antes da Copa.
Caso o país do Oriente Médio decida não participar, a seleção não será a primeira a optar por este caminho. Na história das Copas, outros países desistiram ou boicotaram a competição. Confira abaixo outros exemplos.
Grã-Bretanha (1930, 1934 e 1938)
As seleções britânicas só disputaram a Copa do Mundo pela primeira vez em 1950, primeiro Mundial após a Segunda Guerra Mundial. Antes, os representantes dos países não valorizavam a competição e entendiam que o campeonato entre as nações britânicas era de maior relevância.
Uruguai (1934)
É a única seleção a não defender o título na Copa do Mundo seguinte. Sede do primeiro Mundial, o Uruguai recebeu apenas quatro equipes europeias, o que foi considerado baixo na época. Em 1934, a seleção uruguaia se recusou a viajar até a Itália como forma de boicote.
Uruguai e Argentina (1938)
Após a Copa na Itália, os dois países acreditavam que o Mundial voltaria para a América do Sul, com a Argentina interessada em sediar o torneio. Contudo, a Fifa manteve no continente Europeu e permitiu que a França fosse a organizadora. A decisão não foi bem vista por Argentina e Uruguai, que desistiram de participar da Copa. Outras seleções da América Latina, com exceção de Brasil e Cuba, também boicotaram a competição.
Índia e europeus (1950)
No caso da seleção asiática, existiu por muito tempo o boato de que o boicote se deu porque a Fifa proibiu os jogadores indianos de jogarem descalços, como estavam acostumados. Contudo, a decisão foi tomada pois a equipe não tinha recursos para arcar com as despesas da viagem ao Brasil. Da mesma forma, o país priorizava os Jogos Olímpicos, competição em que participou no futebol dois anos antes, inclusive com os jogadores sem chuteiras.
Além da Índia, quatro seleções europeias (França, Portugal, Turquia e Irlanda) não quiseram participar por questões logísticas, principalmente pelo alto custo para fazer viagens longas no Brasil.
Já no caso da Escócia, a seleção havia sido derrotada pela Inglaterra no Campeonato Britânico de Seleções, mas se classificou para o Mundial. Mesmo assim, desistiu de participar por entender que apenas o campeão entre os britânicos deveria estar na competição.
Quatro desistências contra Israel (1958)
Na época, havia apenas uma vaga para África e Ásia, que disputavam uma eliminatória entre seus campeões para definir a classificação. Israel havia vencido na Ásia e deveria enfrentar uma equipe africana. Egito e Sudão se recusaram a jogar contra a seleção, principalmente pelo fato de uma das partidas ter sido marcada para solo israelense.
A Fifa chegou a convidar Turquia e Indonésia, que disputavam as Eliminatórias da Ásia, para jogar a partida, mas ambos os países também recusaram. No fim, coube a País de Gales disputar dois jogos contra Israel, que não poderia se classificar sem entrar em campo. Os britânicos venceram as duas partidas e foram ao Mundial.
Boicote das seleções africanas (1966)
Ainda nas Eliminatórias, 16 seleções africanas deram início a um protesto contra a Fifa. As federações do continente defendiam que a entidade deveria garantir uma vaga direta para os africanos, sem que tivessem de jogar uma eliminatória contra um representante de outro continente.
Quatro anos depois, o Mundial passou a dar uma vaga direta ao continente africano, assim como ao asiático.
União Soviética desiste da repescagem (1974)
Pela primeira vez, a Copa do Mundo teve uma eliminatória entre seleções asiáticas e europeias para definir uma das vagas. União Soviética e Chile até disputaram a primeira partida em Moscou, que terminou em um empate sem gols.
A questão é que a Federação Soviética de Futebol se recusou a jogar a volta em Santiago, no Estádio Nacional, local em que prisioneiros da ditadura militar estavam e eram torturados. Em nota divulgada na época, a entidade disse que os soviéticos não poderiam estar no estádio em respeito ao "sangue derramado de patriotas chilenos".
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