
O primeiro dia do ano costuma ser sinônimo de novos ares, é a virada de chave para muitos. A data também marca o aniversário daquele que é um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Nascido em 1946, ele foi batizado como Roberto, mas o esporte fez questão de lhe reconhecer pelo sobrenome: Rivellino.
Dono de um bigode incomparável e da famosa "patada atômica", Riva é ídolo no Corinthians e no Fluminense e foi campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1970, no México. Meia clássico, além dos chutes fortes e precisos com a perna esquerda, tinha nos lançamentos um trunfo para deixar os companheiros em boas condições para marcar gols.
Outra marca registrada dentro dos gramados era o "elástico", clássico drible que ajudou a popularizar no mundo inteiro. Maior ídolo de Diego Maradona, Rivellino encerrou sua carreira na Arábia Saudita, mais uma vez sendo decisivo e deixando um belo legado.
O "Garoto do Parque"
O jovem paulista, que se destacava nas quadras da cidade, até chegou a fazer teste no Palmeiras. Entretanto, o destino o reservava a idolatria no principal rival. Em 1965, Rivellino estreou pelo Corinthians, aos 19 anos, na partida contra o Santa Cruz, e marcou um dos três gols da vitória por 3 a 0.
No Timão, conquistou apenas a Copa Rio-São Paulo de 1966, que também teve Botafogo, Vasco e Santos como campeões. Mesmo assim, os quase 10 anos em que defendeu o Corinthians o colocam como um dos maiores nomes da história do clube. A grande fase rendeu uma mudança no clássico apelido. O "garoto" formado nas categorias de base virou o "Reizinho do Parque", termo utilizado pela primeira vez pelo jornalista Antônio Guzman.
No clube paulista, Rivellino disputou 475 jogos e marcou 144 gols. Foram 239 vitórias no período. Ele deixou a equipe em 1974, quando foi contratado pelo Fluminense.
A "Patada Atômica" da Amarelinha
A história de Rivellino na Seleção Brasileira começou em 1965, ao ser chamado para dois amistosos. Três anos depois, voltou a ser convocado e marcou seus dois primeiros gols em um amistoso contra a Polônia. A partir da atuação, tornou-se um rosto conhecido no Brasil.
Foi um nome constante nas convocações de João Saldanha na preparação para a Copa do Mundo de 1970. Por consequência, foi lembrado por Zagallo para estar no torneio, que foi disputado no México. Com a camisa 11 e jogando ao lado de craques como Pelé, Gerson, Tostão e Jairzinho, foi o responsável por marcar o primeiro gol brasileiro no Mundial.
Na estreia, a Tchecoslováquia até abriu o placar. Contudo, Rivellino empatou o jogo após uma explosiva cobrança de falta. A força do chute chamou a atenção dos mexicanos, que o batizaram de "Patada Atômica". O Brasil venceu o duelo por 4 a 1.
Dos seis jogos do torneio, o craque só não entrou em campo contra a Romênia, na última rodada da primeira fase, pois havia torcido o tornozelo. Na competição, ele ainda balançou as redes contra o Peru, na vitória por 4 a 2 nas quartas de final, e contra o Uruguai, nas semifinais, quando o Brasil venceu por 3 a 1.
Na decisão contra a Itália, Rivellino cruzou a bola para Pelé abrir o placar de cabeça. Além disso, deu um belo lançamento para Jairzinho no lance do quarto gol brasileiro, que é até hoje um dos mais lembrados da Seleção. O atacante acionou Pelé, que deixou Carlos Alberto Torres em boas condições para finalizar de direita no canto.
Um fato curioso sobre o ex-jogador é que ele foi o único a não participar da festa no gramado após o título. Aos 24 anos, ele não conteve a emoção e desmaiou depois do apito final, sendo retirado pelos médicos da Seleção. No vestiário, alguns colegas de equipe ameaçaram cortar a marca registrada de Rivellino, o bigode, mas o paulista não deixou.
Pela Seleção Brasileira, ele ainda disputou as copas de 1974 e de 1978, torneios em que o Brasil foi quarto e terceiro colocado, respectivamente. Ao todo, disputou 121 jogos pela Amarelinha e marcou 43 gols.
Na Máquina Tricolor e pioneiro na Arábia Saudita
Em 1974, Rivellino deixou o Corinthians para assinar com o Fluminense. O destino foi injusto com os torcedores do clube paulista, que viram o jogador marcar três gols em sua estreia na vitória do Flu sobre o Timão por 4 a 1.
Mais experiente, o jogador fez parte da "Máquina Tricolor", histórico elenco do time carioca entre os anos de 1975 e 1977, alcançando duas semifinais de Campeonato Brasileiro e dois títulos do Campeonato Carioca. Em 1975, por exemplo, ele integrava a equipe que foi eliminada pelo Inter, campeão daquele ano, no confronto anterior à decisão.
Após 158 jogos e 57 gols marcados, Rivellino foi defender o Al Hilal, da Arábia Saudita, a convite de Zagallo, que treinava a equipe. No primeiro ano em que a Liga Saudita passou a aceitar atletas estrangeiros, o meia foi destaque e ajudou o clube a vencer o campeonato nacional. No ano seguinte, ainda venceu a Copa do país.
O legado de Rivellino ainda seguiu no meio da comunicação por meio de comentários em diferentes emissoras. Dentro dos gramados ele tende a ser eterno, já que é sempre lembrado como um dos maiores atletas dos clubes em que passou, além de ter participado da maior conquista do futebol brasileiro.
O ano que começa pede vida nova para muitos e algumas páginas devem até ficar no passado. Mas quando se trata de Roberto Rivellino, sempre vale à pena relembrar a rica trajetória no esporte.
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