
Tetracampeã da Copa do Mundo, a Itália pode ficar de fora da competição pela terceira vez consecutiva. Isso porque neste domingo (16), a Azzurra foi derrotada em Milão por 4 a 1 pela Noruega — que retorna ao mundial após 28 anos — e terá que disputar uma vaga na repescagem.
Com a derrota, a Itália terminou as Eliminatórias da Europa na segunda colocação do Grupo I, com 18 pontos. Embalada pelos gols de Erling Haaland, atacante do Manchester City, a Noruega ficou em primeiro lugar, com 24 pontos.
Para assegurar a vaga na Copa do Mundo e fugir da repescagem, a Itália precisava vencer a Noruega por, pelo menos, nove gols de diferença. A equipe de Gennaro Gattuso, campeão do mundo em 2006, até saiu na frente com gol de Esposito aos 11 minutos da primeira etapa.
No segundo tempo, a seleção norueguesa terminou com qualquer resquício de esperança dos italianos. Aos 18, Nusa empatou. Em dois minutos, aos 33 e 34, Haaland virou e ampliou. Nos acréscimos, Larsen deu fim ao números da partida: 4 a 1 para a Noruega, em pleno San Siro.
O que explica a crise na seleção italiana?
Desde o título de 2006, a Itália não foi mais a mesma em Copas: caiu nas fases de grupos em 2010 e 2014 e ficou de fora dos dois torneios seguintes. Juntos com seus clubes e sua liga, referência em décadas anteriores, a Azzurra entrou em declínio após o Fair Play Financeiro da Uefa.
Falta de artilheiros e crise técnica
O país deixou de produzir grandes atacantes. O último nome que se destacou foi Immobile, que está em fim de carreira e já não é convocado há um tempo. Hoje a seleção conta com o argentino naturalizado, Mateo Retegui, que atua no futebol árabe, Moise Kean, da Fiorentina, e Raspadori, reserva do Atlético de Madrid.
Além da falta de artilheiros, enfrenta uma crise de identidade tática e técnica. O país que produziu treinadores como Sacchi, Conte e Ancelotti agora tem o ídolo, porém inexperiente, Gattuso no comando, após a saída de Spalletti — que optou por deixar o cargo, a um ano da Copa. O ex-volante tenta resgatar o espírito da equipe, junto com os ícones Buffon e Bonucci, seus auxiliares.
Tropeços em jogos decisivos
Ainda que tenham conquistado a Eurocopa em 2021, os italianos não conseguem ir bem nas Eliminatórias. Na anterior, após ficarem atrás da Suíça, caíram na repescagem para a Macedônia do Norte — que veio a ser superada por Portugal na fase seguinte.
Agora, restando duas rodadas para o fim, está a três pontos da Noruega: venceu cinco das seis partidas até aqui, mas vacilou justo no confronto direto contra os noruegueses. Com isso, o país nórdico depende apenas de si e ainda pode jogar por um empate contra os italianos.
Entre falhas de formação, escassez de peças — especialmente ofensivas — falta de identidade e tropeços em jogos decisivos, a tetracampeã mundial tenta reencontrar o caminho. Se não reagir, corre o risco de repetir 2018 e 2022 — e ver mais uma Copa do Mundo de casa, apenas pelas telinhas.




