
Porto-alegrense de nascimento e com cidadania inglesa, Susie Valerio criou uma relação inusitada com o futebol em geral e com o Arsenal em específico. Atualmente morando em Brighton, a cerca de uma hora de Londres, ela é chamada com frequência por clubes da Premier League para ser tradutora e intérprete. Mas trabalha com muito mais do que isso: ela empresta a voz até para jogos de videogame.
Susie era uma estudante de jornalismo da Famecos em 1990 quando ganhou uma passagem para a Europa e foi parar em Londres com uma amiga. O que deveria ser uma viagem de férias acabou se transformando em uma mudança radical de vida. Assim que o dinheiro curto terminou, ela foi à luta, matriculou-se na faculdade de TV e se mudou de vez.
Entre um trabalho e outro, foi contratada para ser intérprete no Arsenal. À época o time contava com Julio Baptista e Denilson. Desde então Susie ainda participa do Media Day, o momento que o clube abre as portas para a imprensa, e também faz locuções no estádio. Quando os ingleses enfrentam algum adversário português, Susie por vezes volta para fazer o mesmo trabalho. Conviveu com grandes craques, mas foi o grande técnico Arséne Wenger quem mais lhe encantou:
— Tínhamos uma convivência excelente. Ele é um gentleman. Sempre respeitou meu trabalho. Era ótimo.
Graças ao trabalho com o Arsenal, foi chamada também por outros clubes para trabalhar diretamente com jogadores e como intérprete para a mídia, sentada à mesa de conferências e traduzindo as perguntas, como na foto com Deco, meio brasileiro que jogou pela seleção portuguesa.
Também foi voz no Emirates Stadium, casa do Arsenal. E em outros estádios, como no "nosso rival" (forma como se refere ao Tottenham) e em partidas da Seleção na Inglaterra.
Com o tempo, entrou em outras áreas. Foi produtora do episódio brasileiro da cultuada série The Real Football Factories, de Danny Dyer.
A formação como atriz e a voz cristalina levaram-na a fazer parte de jogos de videogame renomados, como o clássico Assassin's Creed.
Susie esteve na sexta-feira como intérprete para os jornalistas ingleses, senegaleses e de outras nacionalidades de língua inglesa para ajudar a traduzir a coletiva de Carlo Ancelotti. E, claro, aproveitou para reencontrar os amigos de tantas coberturas e as portas abertas que deixou no Arsenal.




