
O ar rarefeito da altitude de La Paz, capital boliviana, antecipa a tensão da decisão desta noite entre a seleção local e o Brasil. O ambiente tem decoração pela cidade e até mesmo no hotel da concentração. Os torcedores promoveram vigília e bandeiraço para incentivar os atletas a ganhar a partida e conquistar uma vaga na repescagem, visando o sonho de disputar uma Copa do Mundo após 32 anos.
A mobilização supera outros assuntos do cotidiano como a eleição presidencial em segundo turno, marcada para o próximo dia 19, que sucederá o grupo político ligado à esquerda, no comando do país há quase 20 anos. Apesar dos outdoors espalhados pela cidade, nota-se uma espécie de união em prol do sonho futebolístico.
Cidade decorada para o jogo
Nos shoppings, bandeiras decoram o teto para mostrar o nacionalismo neste momento importante. A última ida da Bolívia para o Mundial foi em 1994. Depois, a seleção amargou insucesso, inclusive, tendo ficado na lanterna das eliminatórias.
A campanha, há alguns anos, amplamente defendida pela Federação Boliviana de Futebol para defender a realização de jogos na altitude — prática contestada por outras confederações — conseguiu manter La Paz como palco das partidas
— Se juega donde se vive — frase da campanha que é estampada até hoje no estádio municipal de El Alto, palco da partida.

Partida na altitude e apoio da torcida
A novidade nos últimos anos foi a liberação para partidas em El Alto, onde a altitude é de 4.100 metros acima do nível do mar. A leitura é que o local impulsionou a campanha para manter vivo o sonho. São cinco partidas no estádio do Always Ready com três vitórias e dois empates. O Brasil será o principal adversário na nova casa.
No hotel da seleção, na região central de La Paz, os elevadores tem mensagens de apoio à Seleção com músicas da torcida:
— Com fé intacta, vamos minha seleção! — dizia o anúncio.

Após o último treino, na última segunda-feira (8), a delegação foi surpreendia com um bandeiraço com algumas centenas de pessoas enlouquecidas pela chance de muitos de assistirem o país na Copa pela primeira vez. A festa durou quase até a meia-noite, numa espécie de vigília, atrapalhando o sono dos hóspedes, mas aquecendo o sonho dos jogadores. Os gritos geralmente eram:
— Bo-lí-via — soltavam os torcedores na rua.
Os atletas, muitos espalhados por equipes sul-americanas escutavam tudo dentro da concentração, acompanhados da visita de alguns familiares.
A Bolívia recebe o Brasil às 19h30min, no horário local, e às 20h30min, no horário de Brasília. Em caso de vitória, mesmo tendo que aguardar a repescagem, contra adversário indefinido, a promessa entre os populares é de um feriado para celebrar o triunfo contra a seleção pentacampeã e a possibilidade de voltar à Copa.



