
Marrocos já havia entrado para a história da Copa do Mundo quando foi o primeiro time africano a se classificar para a segunda fase em 1986, no México, vencendo Portugal e terminando à frente da Inglaterra em seu grupo. No Catar, vem escrevendo seu nome ainda mais na história do futebol. Além de vencer a Bélgica na fase de grupos, eliminou a Espanha e os lusos para ser a primeira equipe da África a chegar nas semifinais do Mundial.
Nesta quarta-feira (14) os marroquinos terão pela frente a atual campeã e sensação do Mundial, França, para, quem sabe, tornar-se a primeira seleção africana a chegar a uma final de Copa do Mundo. O que ninguém apontaria no dia 20 de novembro, quando a competição começou no Catar.
Preparação
A história marroquina na disputa começa meses antes da Copa. Até agosto deste ano, o bósnio Vahid Halilhodzic comandava o Marrocos e vivia uma crise com peças importantes do elenco africano. Mazraoui, lateral, e Ziyech já sabiam que não iriam ao Catar caso o europeu permanecesse no comando da equipe. Os dois, atualmente, são peças importantes nos semifinalistas.
Em meio à crise, a Federação Marroquina demitiu o bósnio e contratou Walid Regragui, que trouxe imediatamente de volta Ziyech e Mazraoui. O novo comandante também percebeu que o grande trunfo da equipe era a defesa — a equipe só sofreu um gol na Copa e ainda foi contra.
Essa solidez foi conquistada por um sistema defensivo que tem como base a compactação em seu campo. Atuando preferencialmente no 4-1-4-1, Marrocos tem as duas linhas de quatro próximas e entre elas joga o volante Sofyan Amrabat. O jogador, que atua na Fiorentina, tem funcionado como um pilar desse sistema defensivo.
Contra Portugal, Marrocos chegou ao seu quarto jogo sem sofrer gol na Copa do Mundo. Antes da seleção portuguesa, de Cristiano Ronaldo, João Félix, Gonçalo Ramos e cia, os marroquinos já haviam mantido o placar em zero contra Croácia, Bélgica e Espanha. Apenas o modesto Canadá conseguiu comemorar um gol diante da seleção africana. Além da boa linha de zaga, que conta também com Hakimi, lateral do PSG-FRA, um dos destaques do time, Marrocos também tem Bono, goleiro do Sevilla, vivendo grande momento.
O jogador do PSG, inclusive, faz parte de uma situação curiosa de Marrocos. Geralmente, as seleções da Europa são as que trazem muitos “estrangeiros” (jogadores nascidos em outros países e que se naturalizam), só que neste Mundial o Marrocos é a seleção com mais atletas nessa situação. São 14 jogadores, todos de origem árabe e que nasceram em diferentes países, que resolveram que dariam preferência à nacionalidade marroquina. Hakimi nasceu em Madrid, mas optou por defender o time africano.
Valor de mercado dos marroquinos
Conforme levantamento do jornal Lance, o valor total do elenco de Marrocos era de 251,6 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão na cotação atual) antes da Copa. O setor mais valorizado era justamente o defensivo. A avaliação pré-Copa era de 127,7 milhões de euros, sem os goleiros. Companheiro de Neymar, Messi e Mbappé, Hakimi valia 65 milhões de euros, sendo o jogador mais caro do elenco marroquino.
Confira os países onde atuam os jogadores marroquinos:
- Marrocos: goleiro Tagnaouti, zagueiro Yamia Attiat-Allal e o meio-campista Yahya Jabrane (todos pelo Wydad Casablanca)
- Arábia Saudita: goleiro Munir (Al-Wehda) e atacante Abderazak Hamdallah (Al-Ittihad)
- Alemanha: lateral Noussair Mazraoui (Bayern)
- Bélgica: volante Selim Amallah (Standart de Liége) e meia Bilel El Khanouss (Genk)
- Catar: zagueiro Badr Benoun (Qatar SC).
- Espanha: goleiro Yassine Bono e atacante En-Nesyri (ambos do Sevilla); zagueiro Jawad El-Yamiq (Valladolid) e atacante Ez Abdé (Osasuna)
- França: lateral Achraf Hakimi (Paris Saint-Germain); zagueiro Achraf Dari (Brest); volante Azzedine Ounahi e atacante Sofiane Boufal (Angers); Aboukhlal (Toulouse)
- Inglaterra: zagueiro Nayef Aguerd (West Ham); atacantes Hakim Ziyech (Chelsea, Anass Zaroury (Burnley) e Ilias Chair (Quees Park Rangers)
- Itália: volante Sofyan Amrabat (Fiorentina); meia Abdelhamid Sabiri (Sampdoria) e atacante Walid Cheddira (Bari)
- Turquia: zagueiro Romain Saiss (Besiktas)
*Colaborou Cristiano Munari




