
— Mudei todos os meus horários do dia para conseguir assistir ao jogo todo — conta a árbitra assistente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) Luiza Reis, em referência à partida entre Alemanha e Costa Rica, nesta quinta-feira (1º), pela fase de grupos da Copa do Mundo do Catar.
O confronto, que decide o destino da seleção europeia tetracampeã e dos azarões latino-americanos, já entrou para a história como a primeira disputa de um Mundial masculino conduzido por um trio de arbitragem completamente feminino.
— Com certeza é um momento de grande emoção — acrescenta Luiza.
Realizada no Estádio Al Bayt, em Al Khor, a partida pelo Grupo E da Copa do Catar tem a francesa Stéphanie Frappart no apito, a brasileira Neuza Back em uma lateral e a mexicana Karen Díaz na outra.
— Acho que elas estão representando cada mulher que atua, independentemente de seus países — destaca Maíra Mastella Moreira, também árbitra assistente da FGF-CBF, que vê o momento como inspirador:
— É motivador saber o quanto as coisas estão abertas, o quanto o caminho está aberto para nós, mulheres, basta trabalhar, se dedicar e acreditar muito, que tudo pode acontecer, inclusive mulheres dentro da Copa do Mundo masculina, que era algo que nem era especulado, talvez, até a última Copa do Mundo.
A árbitra da FGF-CBF Andressa Hartmann ressalta as palavras da Fifa de que, o que estamos presenciando, é a “história em construção”:
— Felicidade imensa em poder vivenciar essa conquista! A quebra de uma hegemonia masculina de praticamente 100 anos é fruto de muita luta, dedicação e perseverança! Um dia histórico que marca nossa força, abre portas, brilha os olhos e fortalece a mim e minhas colegas a seguirmos no caminho que escolhemos, acreditando que um dia também poderemos estar lá! As mulheres merecem! A arbitragem feminina merece! O futebol mundial merece!
Um sonho realizado
Realizada desde 1930, a Copa do Mundo, por exemplo, não tinha uma mulher sequer na comissão de arbitragem até a edição deste ano. A honra também ficou para Stéphanie Frappart, que atuou como quarta árbitra no confronto entre México e Polônia.
— Eu lembro no início da minha carreira, em 2014, quando eu era convidada para palestras, para aulas, coisas assim, sempre me questionavam: "Tu sonha com a Copa do Mundo?" E a minha resposta era que nenhuma mulher havia chegado numa Copa do Mundo. Nunca uma mulher havia conseguido ter essa marca e, até onde a gente sabia, era impossível — recorda Maíra.
— Há alguns meses, quando a notícia chegou até nós, de que haveriam representantes mulheres na Copa do Mundo, o que veio à minha cabeça foi que era o maior ganho, a maior notícia, a maior conquista da arbitragem feminina mundial, nacional, enfim, em todos os aspectos — completa.
Luiza compartilha um sentimento semelhante:
— Por muito tempo eu não podia nem dizer que isso que acontece hoje era um sonho, pois não era possível. Depois de um tempo, passou sim, a se tornar sonho. Então hoje um sonho se realiza, um sonho que tenho como árbitra, como menina, como mulher. O tamanho dessa conquista é imensurável. A utopia se tornou real — conclui.
*Produção: Bibiana Dávila


