
É uma semana Gre-Nal desigual em termos de preparação para o clássico. Enquanto para o Inter esse momento já chegou, para o Grêmio, em tese, o pensamento sobre o clássico terá início só na quinta-feira, após o duelo com o City Torque, em Montevidéu, pela Copa Sul-Americana.
Fruto da incompetência em 2025, o Inter está fora das competições continentais em 2026. Por isso, terá semanas livres enquanto os adversários enfrentarão compromissos em terças, quartas ou quintas-feiras. Por isso, Paulo Pezzolano pode fazer atividades intensas de terça a sexta.
O Grêmio está no Uruguai. Mesmo que use reservas e descanse os titulares, como indica Luís Castro, o time tem o prejuízo da falta de treinos adequados. A equipe jogou domingo à noite, assim como o Inter, e se preparou segunda e terça para o jogo desta quarta-feira. Retorna após a partida e trabalhará na quinta e na sexta, mas com ritmo dosado.
Essa situação, inclusive, é tratada como uma vantagem do Inter para a temporada atual. Além do Gre-Nal, o cenário se repetirá na próxima semana, quando jogará contra o Mirassol, que está na Libertadores.
E o Mirassol é o exemplo citado por Gabriel Bussinger, coordenador técnico do Vasco, titular do podcast Diário do Treinador e professor da Conmebol e da CBF Academy, um dos grandes estudiosos brasileiros em futebol. Segundo ele, um dos motivos pelos quais a equipe foi tão bem em 2025 foi o fato de só disputar o Brasileirão, tendo tempo para treinar, recuperar e corrigir:
— Utilizando uma terminologia específica, podemos falar em "treino aquisitivo". Este tipo de treino permite que se intensifique a carga de trabalho, visando aprimorar o desempenho da equipe. Normalmente, a organização é a seguinte: o dia do jogo é chamado de "D-0", o dia anterior é o "D-1", e assim por diante. O treino aquisitivo idealmente ocorre entre D-3 e D-4, pois o pico de cansaço pós-treino, em termos de lactato, geralmente ocorre 48 horas depois. Por isso, quando se joga com intervalos menores, não é possível realizar um treino aquisitivo completo.
Em resumo, Bussinger vê vantagem colorada nesse ponto.
— O principal de ter uma semana livre para treinar, com a possibilidade de realizar treinos aquisitivos, reside na capacidade de desenvolver comportamentos táticos, técnicos e físicos de forma mais aprofundada. A ausência dessa oportunidade, por outro lado, limita o tempo de treinamento, focando-se mais na recuperação e nos jogos. A única vantagem para quem joga com maior frequência é o ritmo de jogo e, consequentemente, o ganho de confiança — finaliza.



