
Quando Neymar e Santos anunciaram seu reencontro, a Vila Belmiro voltou a sonhar. Era o filho pródigo, a maior estrela recente, retornando ao clube para ajudá-lo a voltar à disputa por títulos. Meses depois, contudo, o cenário é outro: o Peixe luta contra o rebaixamento no Brasileirão, o pesadelo toma conta e a estrela beira o colapso.
O reencontro entre ídolo e clube, recém promovido da Série B, era a tentativa de provar que ainda havia grandeza onde restavam ruínas — em ambos os lados . Mas o roteiro saiu do controle, com polêmicas, lesões e trocas de técnico.
Tudo isso culminou com que o Santos chegasse a 33 pontos em 32 jogos no Campeonato Brasileiro. Com uma partida a menos, está em 17º, observando o fantasma de seu segundo rebaixamento na história — com 59,4% de risco de vivê-lo, conforme a UFMG.
Lesões consecutivas e trocas no comando
Neymar se lesionou ainda no Paulistão, na semifinal contra o Corinthians, e ficou um mês fora. Voltou apenas na terceira rodada do Brasileirão, na derrota para o Fluminense que derrubou Pedro Caixinha, mas voltou a sentir dores logo depois.
Retornou no fim de maio e acabou expulso na derrota para o Botafogo, quando o Santos já afundava no Z-4 sob Cléber Xavier. Após a pausa para o Mundial, marcou na vitória sobre o Flamengo e deu esperança, mas o time voltou a cair: goleada do Mirassol, 6 a 0 para o Vasco e nova troca de técnico, com a chegada de Vojvoda. Mesmo sem brilhar, Neymar seguia como destaque, até sofrer outra lesão em setembro, agora na coxa direita, que o tirou de campo por dois meses.
Polêmicas e cartões
Com o time em crise, Neymar se envolveu em polêmicas: discutiu com um torcedor após derrota para o Inter, tentou acalmar invasores no CT em agosto e reclamou ao ser substituído contra o Flamengo, deixando o banco antes do fim do jogo.
Aos poucos, o Santos vai preenchendo item a item da famosa cartilha do rebaixamento, criada e frequentemente citada entre torcedores do futebol brasileiro: trocas de técnico, protestos da torcida, e, claro, um medalhão que não corresponde à expectativa.
Em 18 jogos de Brasileirão, Neymar marcou apenas três vezes — e foi advertido em cinco. O contraste resume o momento do atacante de 33 anos: mais cartões do que gols, mais frustração do que protagonismo. Um retrato da fase em que a influência do ídolo — camisa 10 e capitão — se esvai junto com o fôlego do time.
Produção: Leo Bender

