
Estar presente, orgulhar e ser exemplo são características de um bom pai. Conciliar a paternidade e a carreira de pilotos é um desafio para Felipe Massa e Júlio Campos, que passarão o Dia dos Pais, neste domingo (9), na pista de Santa Cruz do Sul, pela sétima etapa da Stock Car.
Companheiros da equipe Lubrax, os dois compartilham a garagem e o fato de terem filhos com vocação para o esporte. No caso de Massa, piloto da Fórmula 1 durante 16 temporadas, o filho, que carrega o mesmo nome, mas é conhecido por Pipo no automobilismo, vai iniciando a trajetória nas pistas.
— O papel do meu pai para eu ingressar no automobilismo fala por si só. Foram 16 anos na Fórmula 1 e eu acompanhei todos eles desde que eu nasci. O profissional que ele é, ter vivido tantas coisas e ter corrido várias coisas importantes me fez criar uma vontade a mais — explicou Pipo, em entrevista à Zero Hora.
24 horas de Daytona
O fato marcante mesmo foi quando o pai disputou as 24 horas de Daytona, nos Estados Unidos, em 2024 e em 2025, ficando na terceira posição, nos dois anos, em uma das principais corridas do mundo do automobilismo.
O jovem de 16 anos, que até então seguia o caminho do futebol, mudou a perspectiva e rumou para a velocidade, assim como o pai. Pipo atualmente disputa a Porsche Cup Brasil e é o líder entre os novatos.
Além do talento que está no DNA, o filho recebe bons conselhos do pai.
— Pretendo ajudar o Pipo na carreira de piloto e na vida dele. Falo para ele respeitar as pessoas e trabalhar bem com a equipe. Quero sempre que ele tenha garra de correr atrás do que quer e a motivação para seguir em frente. Por todo amor que eu tenho por ele, sempre será um grande prazer ajudá-lo — afirmou Felipe Massa.
No início de julho, Pipo teve a oportunidade de correr com o maior ídolo. No campeonato de endurance da Porsche Cup Brasil, pai e filho dividiram o carro. Por um problema no motor, o resultado não foi o esperado, mas a experiência valeu para ambos.

— Agradeço demais a chance de fazer essa corrida com o meu filho. Ele mandou bem demais — disse Massa, exaltando o desempenho do filho, que largou de 15º e entregou o carro na sexta posição.
Filho seguindo outro caminho

No caso de Júlio Campos, a trajetória do filho indica que ele seguirá no esporte, mas em outra modalidade. O pequeno Marcos, de 12 anos, vai iniciando sua trajetória no futebol.
— Tento que ele leve do jeito mais tranquilo possível. Claro que, toda competição que chega vai sendo levada cada vez mais profissionalmente. É legal ver ele amadurecendo, porém tento que as prioridades dele ainda sejam voltadas para criança, porque pode se tornar algo massacrante — explica.
Marcos joga em clubes de Curitiba, já disputou torneios fora do país e em outros estados. Questionado se ele poderia mudar de ideia e seguir os passos do pai, o pequeno relembrou:
— Eu tinha um kart.
— Tinha? — indagou Júlio.
— Ainda tenho, mas quase não ando com ele. Faz uns dois anos que não ando, mas acho legal ficar assistindo — afirmou Marcos.
— Eu levo para o autódromo e ele fica jogando bola com o Xandão, nosso mecânico. Ele disse esses dias que andaria de novo, mas "um dia só". Não pediu de novo, não vai, só quando pedir pelo menos algumas vezes — brincou Júlio.
Além de Marcos, o piloto também tem uma menina. Conciliar a vida de piloto e pai é um desafio.
— Muda tudo. A partir do momento que nasce o primeiro filho, a gente começa a priorizar muitas coisas junto deles. O automobilismo tem muitas viagens, mas, sempre que dá, eu levo eles comigo.
Quando está no autódromo torcendo pelo pai, Marcos não esconde a apreensão:
— É muito legal quando estou vendo a corrida, dá um nervosismo. As vezes ele bate o carro e eu fico nervoso demais. Mas é bem legal no geral.
Em Santa Cruz do Sul, onde ocorre a sétima etapa, ele espera recuperar a boa fase. No autódromo gaúcho, Campos já venceu, em 2019, e tem três segundos lugares, em 2014, 2020 e 2026. Um indicativo de que Marcos não precisará ficar nervoso.




