
A primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1 teve altos e baixos. Pilotos se destacaram, enquanto outros decepcionaram. O novo regulamento causou reclamações e precisou ser modificado já com os carros em movimento.
Foram 11 etapas disputadas até a F1 entrar no período de férias de verão. Serão outras 12 até dezembro — com o retorno de Sepang, na Malásia, para sediar o GP do Bahrein.
Esta prova e a da Arábia Saudita — quarta e quinta do calendário — foram canceladas por conta dos conflitos no Oriente Médio. Contudo, o GP bareinita será realizada em outro circuito, no início de outubro.
A segunda metade da temporada retorna no dia 23 de agosto, em Zandvort, na Holanda.
Destaques da temporada
O grande destaque da temporada até o momento é o líder do campeonato. Com apenas 19 anos, Kimi Antonelli soma 219 pontos e seis vitórias. Cinco delas foram em sequência, algo que poucos conseguiram na história.
— Ele se adaptou muito bem ao regulamento. Ninguém esperava que ele fosse ter um desempenho tão bom assim, apenas no segundo ano de F1, a ponto de anular seu companheiro de equipe — analisa Rafael Lopes, comentarista de F1 do Grupo Globo.
— Todo mundo falava que o George Russell era um piloto muito promissor, que quando tivesse um carro bom na mão seria candidato ao título — complementa.

Antonelli tem vantagem de 59 pontos para seu companheiro de Mercedes, que é o terceiro colocado no campeonato. O vice-líder é Lewis Hamilton, que está 50 pontos atrás do jovem italiano.
Em seu segundo ano na Ferrari, o heptacampeão mundial é outro destaque da temporada. Ele venceu pela primeira vez com a equipe italiana e se tornou a principal ameaça para Antonelli.
— Depois do ano passado a sua pior temporada na Fórmula 1, sem pódio e nenhum grande destaque, o Hamilton conseguiu neste ano vencer corrida, andar regularmente na frente e superar o companheiro de equipe dele, o Charles Leclerc, que é um piloto reconhecidamente rápido — afirma Lopes.
Decepções
Mencionado anteriormente, Russell, mesmo ocupando o terceiro lugar no campeonato, é uma decepção pela expectativa criada em cima dele. O fato de ter sido superado de maneira ampla por Antonelli causou dúvidas sobre seu real potencial.
— Ele não sabe muito bem para onde correr para tentar reagir. Está meio perdido e isso se vê nas entrevistas dele. A gente esperava muito do Russell e ele era o meu candidato ao título. Porém, nada indica que ele vai conseguir uma reviravolta no segundo semestre — aponta o comentarista.
Duas equipes se enquadram como decepções. A estreante Cadillac ainda não disse a que veio na F1. Por muitas vezes, o carro é o pior do grid e os pilotos não conseguem completar provas. Valtteri Bottas e Sergio Pérez ainda não pontuaram.
Por ser uma equipe novata e totalmente do zero, é comum que não tenha bons resultados. No entanto, a Cadillac tem problemas básicos que precisam ser resolvidos e que não são comuns na categoria. Apesar disso, a equipe que mais decepcionou foi a Aston Martin.

— A Aston Martin é um dos maiores vexames da história da Fórmula 1. O carro que eles colocaram na pista neste ano não conseguia andar e ficou 5.7 segundos mais lento que o pole position em uma corrida — relembra Lopes.
— Com Adrian Newey, Honda e Fernando Alonso no projeto. Com toda a equipe técnica que eles tiraram a peso de ouro de outras equipes, eu esperava muito mais da Aston Martin. Se eles andassem no meio do pelotão já seria uma decepção — complementa.
O investimento da equipe britânica foi alto, mas os resultados não apareceram. Nas primeiras provas, os carros de Alonso e Lance Stroll não conseguiam largar. O principal resultado foi a 10ª posição do espanhol em Mônaco, conquistando o único ponto da equipe.
Para o GP da Hungria, o último antes das férias, a Aston Martin trouxe atualizações e os carros estiveram mais no meio do pelotão. Porém, ainda é muito pouco pela expectativa criada e pelo dinheiro investido.
Desempenho de Gabriel Bortoleto

O brasileiro foi para sua segunda temporada na F1. Um primeiro ano de altos e baixos, mas em uma equipe que estava prestes a ser alterada. Apesar de estreante, a Audi ficou com as instalações da Sauber, que foi comprada.
Na primeira etapa, na Austrália, o brasileiro conquistou dois pontos históricos para a equipe alemã. O início promissor se tornou uma sequência de erros, da escuderia e do piloto em alguns momentos.
No entanto, Bortoleto se reencontrou e a Audi lhe deu mais condições de competir. Dois oitavos lugares na sequência — Grã-Bretanha e Bélgica — lhe deram mais oito pontos. O brasileiro tem 10 até o momento e ocupa a 14ª posição na tabela, oito pontos a frente de Nico Hulkenberg, seu companheiro de equipe.


