
O Principado de Mônaco tem dois reis. O primeiro é o soberano da Casa de Grimaldi, responsável por fundar o microestado em 1297. Atualmente conhecido como Alberto II. O outro "monarca" é um brasileiro, que ganhou a alcunha de Rei de Mônaco por suas façanhas nas ruas de Monte Carlo, onde é realizado o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1.
No final dos anos 1980 e início da década 1990, Ayrton Senna foi soberano em um dos circuitos mais tradicionais da categoria. Ele colecionou vitórias, feitos e súditos.
Logo em sua primeira temporada, em 1984, o brasileiro mostrou familiaridade com a pista. Na quinta corrida pela categoria, Senna largou em 13º com sua Toleman e começou um show de ultrapassagens enquanto a chuva derramava água sobre as ruas do Principado.
A vitória estava próxima do brasileiro, que só precisava ultrapassar Alain Prost, da McLaren. No entanto, o francês pediu a interrupção da prova por conta da chuva e foi atendido — isso lhe custou o título de 1984.
Primeira vitória e volta mágica
Em 1987, o brasileiro venceu pela primeira vez em Mônaco, a bordo da tradicional Lotus amarela. No ano seguinte, ele não venceu, mas marcou as ruas do Principado com a volta mágica. Na classificação, Senna guiou sua McLaren 1,4 segundo mais rápido do que o segundo colocado, que era Prost.
Durante a corrida, ele abandonou a prova por conta de um erro. Porém, uma das voltas mais espetaculares da F1 tem o carimbo do brasileiro.
Sequência de conquistas
De 1989 a 1993, o reinado de Senna foi inabalável. Cinco vitórias consecutivas, sem chances para os concorrentes. Na primeira conquista da sequência, o brasileiro fez as pazes com a pista. Ele colocou um segundo de vantagem novamente em Prost, e na corrida foi o primeiro a cruzar a linha de chegada.
Em 1990, Senna fez a pole, venceu de ponta a ponta e marcou a volta mais rápida da prova, conseguindo um Grand Chelem. No ano seguinte, o brasileiro triunfou com o carro reserva, pois o titular teve problemas antes da largada.
A vitória em 1992 foi uma das mais difíceis da carreira. Os carros da Williams dominavam e isso ficou nítido na classificação. Largando em terceiro, Senna assumiu a segunda posição e contou com a sorte para se tornar líder.
Nigel Mansell teve problema: a porca de uma das rodas soltou e ele precisou fazer uma parada nos boxes. O ritmo do piloto britânico era muito forte, pois conseguiu alcançar Senna. Porém, o brasileiro sabia os atalhos das ruas de Mônaco, segurou Mansell e venceu pela quinta vez.
A sexta e última vitória, que coroou Senna como Rei de Mônaco. Em 1993, a McLaren estava longe de ter o melhor carro, mas tinha o melhor piloto da pista. Largando em terceiro, os deuses sorriram para o brasileiro, pois Michael Schumacher teve problemas no motor e Prost foi punido por irregularidade na largada.
Com isso, ele somou seis triunfos no GP de Mônaco, que é o recorde até os tempos atuais, ultrapassando Graham Hill na época. Schumacher até se aproximou, mas finalizou a carreira com cinco vitórias.


