
Uma Nova Era começa na Fórmula 1 a partir deste domingo (8), à 1h (horário de Brasília), às 15h de Melbourne, na Austrália, onde ocorre a primeira etapa da temporada. Carros com aerodinâmica inovadora, motores híbridos e combustível sustentável. Essas são algumas das principais mudanças do novo regulamento da F1, que promete dar um novo rumo dentro das pistas.
O campeonato começa com um novo número 1. Lando Norris é o atual campeão e trocou sua numeração. No entanto, o britânico da McLaren deve ter muitas ameaças e a competição pode envolver mais de duas equipes. Mercedes, Ferrari e Red Bull surgem como as outras três forças da F1.
A principal categoria do automobilismo segue com um brasileiro no grid. Gabriel Bortoleto vai para a segunda temporada, desta vez defendendo as cores da Audi, que estreia na F1 no lugar da Sauber. Outra estreante é a Cadillac, que entra como a 11ª escuderia, trazendo mais nomes na disputa.
Ao todo, serão 22 pilotos — quatro campeões mundiais — que disputarão 24 etapas ao longo do ano. A F1 viajará da Oceania para a Ásia, rodará pela América do Norte, ficará por longos meses na Europa e depois terá novo período de viagens para a América — no Brasil em 8 de novembro — e terminará no Oriente Médio, com fim programado para 6 de dezembro, em Abu Dhabi.
O novo regulamento
Carros menores, aerodinâmica ativa, motor híbrido e novas formas de ultrapassagem são alguns termos que serão bastante utilizados para explicar o novo regulamento da F1. Para muitos analistas da categoria, uma das maiores revoluções da história foi realizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
— A FIA vai ter um pouco de trabalho no começo e provavelmente fará algumas mudanças nas regras ao longo do campeonato. A dificuldade dos pilotos e das equipes vai ser realmente entender isso e usufruir as mudanças da melhor forma possível — avalia Felipe Giaffone, piloto e comentarista da TV Globo.
A F1 trabalha para que os carros sejam menores, pois o tamanho vinha sendo objeto de críticas de pilotos e fãs. No novo regulamento, a distância entre eixos foi reduzida em 200 mm (para 3400 mm), largura reduzida em 100 mm (para 1900 mm) e largura do piso cortada em 150 mm. Outra alteração foi no peso, pois os carros agora terão no mínimo 770 quilos, uma redução de 30 quilos em relação à última temporada.
Na parte de aerodinâmica, as asas dianteiras e traseiras serão móveis, substituindo o Sistema de Redução de Arrasto (DRS). Agora, a aerodinâmica será ativa, com dois modos: o X (baixa resistência em retas) e o Z (alta pressão em curvas). Portanto, não será mais necessário que o carro atrás esteja menos de um segundo de distância para o da frente para ativar as asas e ganhar mais velocidade.
No entanto, quando existir essa distância entre os pilotos, agora será possível ativar um Modo Ultrapassagem, que será ativado e o motor vai liberar energia extra do motor para aumentar a potência.
Haverá também o Modo Boost, que oferecerá ao piloto a máxima potência do motor e da bateria ao pressionar de um botão, independentemente de onde estejam na pista. Isso não é infinito e os carros terão um modo de recarga, no qual a bateria voltará a ficar cheia com energia recuperada da frenagem.
— O campeonato será um jogo de xadrez. Essa questão da bateria precisará de tempo de adaptação. Imagina que vai ter algum ponto que o piloto terá uma reta grande, em seguida outra reta, e a bateria não vai dar conta. O piloto terá que, de maneira estratégica, descobrir qual reta ele vai atacar mais. Vamos começar a ver ultrapassagens que não estávamos acostumados a ver antes. Do nada o piloto atacará e conseguirá a ultrapassagem — explica Giaffone.
Todas essas mudanças partem também de alterações realizadas na unidade de potência. Agora, os motores serão 50% de combustão interna e a outra metade de potência elétrica. Na parte interna, o MGU-H foi removido e a potência do MGU-K aumentada significativamente para melhorar as ultrapassagens e a velocidade em reta.
A nova era da F1 também busca se adequar à era da sustentabilidade que o mundo busca em todos os setores. Os carros serão alimentados por combustível sustentável avançado, que não impactará o desempenho.
Mais equipes na pista
A F1 estava desde 2015 com 10 equipes no grid, ou seja, 20 carros na disputa. Em algumas temporadas isso tentou ser modificados, mas sem sucesso, principalmente com a nova dona da categoria, a Liberty Media. No entanto, em 2026, após 12 anos, a categoria voltará a ter 11 escuderias, com a entrada da Cadillac.
— O grid com 22 carros é mais atrativo para o público e ajuda a fomentar o esporte, por conta dos pilotos que estão chegando nas categorias de base. Vejo como positivo o envolvimento de uma marca como a General Motors, via Cadillac, uma das maiores empresas e montadoras de carros do mundo — analisa Rafael Lopes, comentarista do Grupo Globo.
Um dos motivos para a demora de uma nova equipe ingressar era financeiro. A F1 por muito tempo teve escuderias falindo. Nos últimos anos, porém, é algo cada vez mais raro, e as equipes estão lucrando com a F1. A implementação do teto orçamentário ajudou, e agora possibilita que a categoria tenha mais uma grande marca na disputa.
Equipes e motores
A temporada de 2026 terá 5 marcas de motores. A Mercedes atenderá suas demandas e de mais três equipes. A Ferrari fornecerá para outras duas. A Red Bull se uniu com a Ford e projetou um motor próprio para si e para a equipe satélite. A Honda uniu forças com a Aston Martin e a Audi desenvolveu a própria unidade de potência.
- McLaren – Mercedes
- Mercedes – Mercedes
- Willians – Mercedes
- Alpine – Mercedes
- Ferrari – Ferrari
- Haas – Ferrari
- Cadillac – Ferrari
- Red Bull – Red Bull Ford
- Racing Bulls – Red Bull Ford
- Audi – Audi
- Aston Martin – Honda
Bortoleto, velhos conhecidos e uma novidade no grid
Com a chegada de uma nova equipe, foi necessário movimentar o mercado de pilotos e dois velhos conhecidos da categoria retornaram. A Cadillac apostou em dois veteranos para a primeira temporada na F1. O mexicano Sergio “Checo” Pérez e o finlandês Valtteri Bottas, ambos com 36 anos, retornam ao grid após um ano fora.
Os dois já foram vice-campeões mundiais, mas sempre exerceram o papel de escudeiros. Checo de Max Verstappen na Red Bull, e Bottas de Hamilton na Mercedes. Fora os veteranos, apenas um jovem talento ingressou na F1.
O britânico Arvid Lindblad, com descendência sueca, de 18 anos, vai pilotar pela Racing Bulls. O japonês Yuki Tsunoda foi preterido pela Red Bull e virou piloto reserva. Com isso, o francês Isack Hadjar foi promovido da equipe satélite para a principal.
A Audi entrou no jogo e trocou as cores do macacão e do carro de Gabriel Bortoleto. O brasileiro seguirá sendo companheiro de Nico Hulkenberg, mas desta vez em um projeto mais ambicioso do que a Sauber. Na temporada de estreia, o representante do Brasil na F1 somou 19 pontos, tendo um sexto lugar na Hungria como principal resultado.
As expectativas para 2026 são maiores em relação ao brasileiro. No entanto, ainda distante da disputa por vitórias e pódios.
— Uma temporada nas costas, o que eu quero dizer com isso, um ano de experiência. Sem dúvida nenhuma é um talento, uma das grandes promessas da nova geração. Eu tenho certeza de que a segunda temporada dele na Fórmula 1 vai ser menos difícil do que foi a primeira — avalia Christian Fittipaldi, ex-piloto e comentarista do Grupo Globo.
Para o analista, o fato de a Audi ter construído o próprio motor pode ajudar Bortoleto, pois o desenvolvimento do carro pode ocorrer de maneira mais fácil do que se ajustar a uma outra unidade de potência cedida por outra marca.
Pilotos e números para a temporada
McLaren
- Lando Norris - 1
- Oscar Piastri - 81
Mercedes
- George Russell - 63
- Kimi Antonelli - 12
Red Bull
- Mas Verstappen - 3
- Isack Hadjar - 6
Ferrari
- Lewis Hamilton - 44
- Charles Leclerc - 16
Williams
- Alex Albon - 23
- Carlos Sainz - 55
Racing Bulls
- Liam Lawson - 30
- Arvid Lindblad - 41
Aston Martin
- Fernando Alonso - 14
- Lance Stroll - 18
Haas
- Esteban Ocon - 31
- Oliver Bearman - 87
Audi
- Gabriel Bortoleto - 5
- Nico Hulkenberg - 27
Alpine
- Pierre Gasly - 10
- Franco Colapinto - 43
Cadillac
- Sergio Pérez - 11
- Valtteri Bottas - 77
Datas e locais das 24 etapas
Quem são os favoritos
Felipe Giaffone
"Dos favoritos, tudo indica que Mercedes, Ferrari e McLaren, que estão com um equipamento melhor, talvez Mercedes um pouco a frente. A Red Bull é uma grande surpresa, por começar com o motor do zero e já chegar competitiva. Ela está entre as quatro forças."
Rafael Lopes
"Se analisarmos os testes é bem complicado apontar um favorito. Neste momento eu tendo a acreditar que a Mercedes vai sair na frente, então George Russell e Kimi Antonelli podem estar na vantagem, mas eu vi uma Ferrari muito forte com Leclerc e Hamilton nos testes do Bahrein. A equipe italiana parece com o planejamento muito acertado, coisa que nos últimos anos foi raro. Sempre vimos um ambiente mais bagunçado. A McLaren parece estar bem, não sei se à altura de Mercedes e Ferrari neste momento. A Red Bull está melhor do que eu esperava com esse motor em parceria com a Ford. São essas quatro equipes que eu vejo como favoritas. Se eu tivesse que apostar em um campeão, eu iria de George Russell."
Christian Fittipaldi
"O favorito para mim é muito simples: Max Verstappen, definitivamente é o grande favorito. É claro que a gente pode colocar variáveis no meio do caminho, falar que o carro dele não está à altura, mas uma das coisas que mais me impressionou na Fórmula 1, nos últimos 20 anos, foi aquele delta de pontos que ele tirou em relação a quem era o líder do campeonato ano passado. Ele foi para Zandvoort 104 pontos atrás do Piastri, chegou no final do ano em Abu Dhabi e perdeu o título para o Norris, que terminou só dois pontos na frente do Max. Isso na segunda metade do ano, quando realmente deram um carro à altura dele."
