
Nos últimos quatro anos, o Brasil mostrou para o mundo que existem pilotos talentosos no país. Felipe Drugovich, Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara conquistaram títulos importantes, que colocaram os três no radar da Fórmula 1, recuperando o sentimento de esperança dos fãs brasileiros.
Chegar na F1 não é fácil. É uma corrida longa, com obstáculos e nem sempre o objetivo final é alcançado no momento esperado. A geração brasileira de pilotos, no entanto, vem sendo trabalhada desde cedo a lidar com as adversidades dentro e fora das pistas.
— Essa nova geração de pilotos está se destacado por um bom motivo. Tivemos um kart muito forte de 5 a 10 anos atrás, justamente quando Drugovich, Bortoleto e Câmara estavam competindo na Copa São Paulo de Kart — relembra o jornalista Rodrigo França, em entrevista para Zero Hora.
— Das competições no Brasil, São Paulo recebia os melhores do país e aí você formava bons pilotos. Quando você tem um campeonato muito competitivo é preciso melhorar para se destacar e superar nomes fortes — complementa França, que já cobriu etapas do kart e atualmente acompanha as etapas da Fórmula 1 e outras categorias in loco.
São nessas coberturas que ele consegue acompanhar bastidores dos três brasileiros, conhecidos como "Boys from Brazil" pelos perfis oficiais da F3 e F2, cada um vivendo um momento específico na carreira.
Drugovich mantém esperança

Em 2022, Drugovich foi campeão da Fórmula 2, a categoria mais próxima da elite. O paranaense de Maringá sobrou naquela temporada e entrou no radar das equipes.
No entanto, mesmo com talento e resultados, o piloto ainda não teve sua chance na F1. Desde 2023, Drugovich é piloto reserva e de testes da Aston Martin. Ele já participou de treinos livres, mas nunca realizou uma classificação ou uma largada na categoria.
Aos 25 anos, o paranaense ainda persegue o sonho de uma vaga na F1. Na Aston Martin será difícil, visto que os titulares são Fernando Alonso, bicampeão mundial, e Lance Stroll, filho do dono da equipe.
A esperança para Drugovich está em 2026, quando a Cadillac entra como a 11ª equipe e duas vagas surgirão. A concorrência é grande, mas o nome do brasileiro está entre os cotados.
Bortoleto vivendo o sonho

Apesar do êxtase pelo título em 2022, os brasileiros ainda não estavam satisfeitos, pois queriam ver um piloto representando na F1. Uma nova esperança vinda do kart apareceu. Gabriel Bortoleto chamou a atenção por conta da consistência e dos bons resultados.
— Bortoleto foi com 12 anos de idade para a Itália e conseguiu se adaptar a essa competitividade que é muito forte também no kartismo internacional. Depois, a adaptação foi nas categorias de base de fórmula — explica França.
Em seu ano de estreia na Fórmula 3: campeão com folga. Na temporada seguinte, na Fórmula 2, o resultado foi o mesmo. O paulista de Osasco não estava só no radar das equipes, como já tinha uma proposta para ingressar na F1.
A Sauber — que se tornará Audi em 2026 — fez a contratação de Bortoleto para 2025, com vínculo de pelo menos dois anos. É o retorno do Brasil na elite do automobilismo após sete anos sem um representante entre os titulares.
O piloto de 20 anos está evoluindo a cada corrida. O início foi de adaptação e de frustrações por conta do carro limitado da Sauber. A equipe evoluiu e os resultados apareceram. Nas últimas quatro etapas, terminou três na zona de pontuação, sendo o melhor resultado no GP da Hungria, com o sexto lugar.
Certeza no automobilismo não existe, mas Bortoleto vem mostrando que mereceu a vaga e deve permanecer na F1 por bastante tempo.
Câmara pronto para o próximo passo
As conquistas de Drugovich e Bortoleto abriram caminho para Rafael Câmara. Talento o pernambucano de 20 anos tem de sobra.
— Câmara saiu de Pernambuco para correr em São Paulo, e quando esses pilotos vão bem na base do kart, eles conseguem se destacar nas competições internacionais e desde cedo começam a viver na Europa, próximos das principais competições do automobilismo — conta França, que acompanha a carreira da jovem promessa brasileira desde cedo.
Vitorioso no kart e nas primeiras categorias de monopostos, ele entrou na F3 com altas expectativas de sucesso. E estas foram cumpridas de maneira brilhante.
Câmara foi campeão da categoria com uma rodada de antecedência. Ele fez cinco pole positions e venceu quatro corridas principais, além da consistência nos pontos em outras etapas.
Piloto da Academia da Ferrari, Câmara tem vaga garantida na F2 em 2026 e deve representar uma equipe de ponta. O pernambucano já está no radar da F1, mas precisa se provar mais uma vez para alcançar o grande objetivo.
Em um cenário no qual tudo dará certo para Drugovich, Bortoleto e Câmara, poderemos ter três brasileiros na principal categoria do automobilismo em 2027. Talento eles têm, e a torcida do Brasil também.




