
Próximo de iniciar seu quarto final de semana como piloto da Fórmula 1, Gabriel Bortoleto já é capaz de fazer uma análise do seu início de carreira na principal categoria do automobilismo. Ademais, o brasileiro sabe da pressão que carrega e espera que o torcedor tenha paciência.
Já no Bahrein, onde será disputado a quarta etapa da temporada 2025, no domingo (13), Bortoleto concedeu entrevista ao jornalista Rodrigo França, que foi ao ar no ge. Na conversa, o piloto de 20 anos respondeu sobre as dificuldades que vem tendo na Sauber, que é considerada a pior equipe do grid atualmente.
— Em relação a ritmo, classificação e corrida, estou muito contente com a forma como a gente começou. Tenho um companheiro muito experiente (Nico Hulkenberg), e, sendo sincero, estou sempre ali com ele. Algumas corridas na frente, em outras atrás, mas acho que faz parte. A gente tem, provavelmente, o carro mais lento do grid neste momento, mas é um trabalho constante de evolução que a gente tem que fazer com a equipe de desenvolvimento — disse Bortoleto.
Por ser um carro de fundo de pelotão, o brasileiro sabe que dificilmente irá pontuar e suas batalhas serão contra o próprio companheiro, além dos pilotos da Haas, Alpine e Aston Martin. Apesar de ter essa consciência, ele espera que o público iniciante na F1 consiga compreender esse cenário inicial.
Nas duas primeiras etapas, na Austrália e na China, Bortoleto conseguiu a façanha de levar seu carro para o Q2 — segunda parte do classificatório —, que significa bastante, visto que a tendência é a Sauber largar nas últimas posições.
— Aqueles que realmente acompanham F1 e entendem do esporte sabem bem disso (importância de chegar ao Q2). Mas não julgo também. Aqueles que não acompanham tanto e não sabem das diferenças dos carros não têm a obrigação de saber que o Q2 para a gente é quase uma pole position. É a mesma coisa de eu tentar dar pitaco em futebol, pois não entendo do esporte. Mas é importante a mídia explicar isso muito bem sempre, para tentar expandir o conhecimento do nosso esporte — explicou.

O início não é bom, mas o futuro é promissor. Em 2026, a equipe passará a ser controlada totalmente pela Audi e a expectativa é de um forte investimento da montadora alemã. A contratação de Bortoleto foi pensando no futuro, visto que ele venceu de forma consecutiva as Fórmulas 3 e 2.
— Graças a Deus eu tenho um bom contrato e tenho bastante confiança da parte da equipe. Acredito que eles estejam bastante felizes com o trabalho que tenho feito com os engenheiros e todos. Acho que tudo isso é positivo, mas sei que o que conta são os resultados na pista. É importante continuar entregando e melhorar o carro, a pilotagem e tudo — disse.
Perguntado sobre qual nota Bortoleto se daria neste início de carreira, ele foi direto:
— Eu acho que me daria 8,5. Minha largada no Japão não foi muito positiva, na China, mesmo lutando bastante com o pessoal, a gente sabe das instabilidades do carro, e eu acabei perdendo o carro. Depois, consegui uma ótima recuperação e um ritmo de corrida muito bom, que no final das contas é o que importa para a gente: entender e melhorar nosso ritmo.
Por fim, pensando no próximo desafio, a pista do Bahrein é bastante conhecida do brasileiro. Ele já correu no local diversas vezes em outras categorias e espera um resultado "decente".
— Continuar do jeito que a gente está crescendo, tentar entregar os melhores resultados em classificações e corridas, melhorar o carro e, em algum momento, lutar por pontos — explicou. Sobre a possibilidade de pontos no Bahrein:
— Acho que aqui ainda não. A gente não está nesta posição. Mas acho que a gente pode fazer um resultado decente na classificação.

