Técnicos administrativos e estudantes fazem mobilização no campus Centro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na manhã desta quarta-feira (10). Os portões da universidade foram fechados durante a manhã e liberados por volta das 11h, quando os manifestantes saíram em caminhada até o escritório principal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, na Avenida Loureiro da Silva.
Houve bloqueio no trânsito na Rua Sarmento Leite no trecho do campus, do cruzamento da Avenida Osvaldo Aranha em diante. Brigada Militar e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) organizaram o tráfego no local.
Os estudantes que chegavam ao campus enquanto os portões estavam fechados afirmavam não saber se teriam aula ou não. Alguns aguardavam orientações dos professores.
Segundo uma das responsáveis pela mobilização, a técnica administrativa da Faculdade de Educação da UFRGS Myrela Leitão Barros, o protesto marca os cerca de cem dias de greve da categoria. A mobilização desta quarta-feira teve início às 5h30min e acontece em 57 instituições de ensino do país.
Ainda de acordo com Myrela, a reivindicação dos grevistas diz respeito ao não cumprimento por parte do governo federal do acordo feito em 2024. Ela cita que, dos 19 pontos acordados na ocasião, 18 não foram cumpridos na totalidade. Entre eles, a técnica administrativa elenca a redução da jornada de trabalho para 30 horas.
— A universidade precisa funcionar das 7h às 23h, no mínimo. Para isso, é necessário que tenhamos jornada flexibilizada, com diferentes turnos de trabalho, garantindo atendimento ininterrupto e mais eficiente. Essa foi uma reivindicação assinada pelo governo, que prometeu implementá-la, mas não cumpriu o acordo — afirma.
Myrela diz também que o movimento dos grevistas desta quarta-feira se solidariza com o atraso no pagamento de terceirizados da universidade.
— Coincidiu que os terceirizados aqui da universidade estão sem salário, era para terem recebido nessa semana e eles estão sem receber. E, por conta disso, estamos de forma solidária com eles, fazendo esse ato também, pressionando a reitoria e o governo para que imediatamente eles tenham o salário deles recebido — destaca Myrela.
Sobre o impacto nas aulas, a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, informou que, com exceção do campus Centro, nos outros pontos da universidade, as aulas ocorreram normalmente.
Aulas já retomadas
Os portões foram liberados pelos manifestantes por volta das 11h. A partir da tarde, tanto as aulas quanto as atividades administrativas presenciais no campus Centro foram retomadas.
Terceirizados serão pagos na quinta-feira
O vice-reitor da UFRGS, Pedro de Almeida Costa, explicou que o atraso no pagamento dos salários impactou 320 terceirizados, que atuam como recepcionistas, garagistas e porteiros, ligados a uma única empresa. Segundo ele, a universidade conta com cerca de 1,5 mil terceirizados.
— Atrasamos alguns pagamentos da universidade e essa empresa não teve condições de garantir os pagamentos. As demais têm, até porque é cláusula contratual das terceirizações que a empresa precisa ter uma liquidez financeira de três meses de folha de pagamento, justamente para prever esse tipo de atraso — esclareceu.
Costa afirmou que o governo federal não repassa recursos à UFRGS há duas semanas. Segundo ele, a situação provocou atraso em alguns pagamentos da universidade. Mas ele garantiu que serão retirados valores próprios da universidade para quitar os benefícios destes terceirizados na quinta-feira (11).
— Estamos fazendo a desmobilização de alguns recursos de arrecadação própria da universidade, não do orçamento do Tesouro, que é esse que deixou de vir nas últimas duas semanas, para quitarmos essa folha e pagarmos, inclusive, a nossa conta de energia, que vence hoje e é de R$ 900 mil — ressaltou.




