
Subiu para quatro o número de estudantes que procuraram a polícia relatando terem sido vítimas de manipulação de imagens no Colégio de Aplicação da UFRGS, na zona leste de Porto Alegre. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia e Proteção à Criança e ao Adolescente (Deca). Ao menos três alunos da escola são suspeitos de produzir e divulgar as imagens.
Nos últimos dias, mais duas adolescentes — uma de 14 e outra de 15 anos — registraram ocorrência. Elas afirmam que fotos delas foram transformadas em conteúdo pornográfico com uso de inteligência artificial. Inicialmente, duas estudantes de 14 anos haviam apresentado o mesmo relato.
No início das investigações, um aluno era apontado como responsável pela manipulação e divulgação das imagens. Agora, outros dois estudantes também passaram a ser investigados. Os três estão afastados das atividades presenciais da escola.
A delegada Aline Fernandes, titular da Deca, deve ouvir os envolvidos nos próximos dias. A diretora da escola já prestou depoimento na semana passada. Não há prazo para conclusão do inquérito, que apura possíveis atos infracionais análogos aos crimes de montagem e divulgação de conteúdo de pornografia infantojuvenil.
Além da investigação policial, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) abriu procedimento por meio da corregedoria para apurar os fatos.
Entenda o caso
Segundo a diretora da escola, Fernanda Britto da Silva, o caso chegou ao conhecimento da instituição na quinta-feira (26 de março). As alunas relataram que as imagens teriam sido manipuladas com uso de inteligência artificial (IA) por um estudante do 9º ano do Ensino Fundamental.
No dia seguinte, estudantes foram suspensos das atividades presenciais de forma cautelar. Na terça-feira passada (31), membros do grêmio estudantil da escola organizaram um ato em solidariedade às adolescentes.
Confira a nota da escola na íntegra:
"A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio do Colégio de Aplicação, informa que tomou conhecimento de relatos envolvendo a produção e circulação de conteúdos digitais manipulados (deepfakes) com imagens de estudantes.
Desde o primeiro momento, a Direção do Colégio, juntamente com o Núcleo de Orientação Educacional, Serviço Social e Psicologia Escolar (NOPE), iniciou a escuta das estudantes envolvidas, bem como a apuração dos fatos junto aos alunos mencionados.
Medidas imediatas já foram adotadas, incluindo contato com as famílias, aplicação de suspensão cautelar dos estudantes envolvidos e o encaminhamento dos procedimentos administrativos cabíveis, com acompanhamento da Corregedoria da Universidade.
Até o momento, as informações apuradas indicam a existência de um número restrito de materiais, ainda não acessados pela instituição, sendo que as investigações seguem em andamento para a devida verificação dos fatos.
A UFRGS reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, com o combate a todas as formas de violência, inclusive digital, e com a promoção de um ambiente educacional seguro, ético e respeitoso.
A Universidade segue acompanhando o caso com a máxima seriedade, prestando apoio às estudantes e suas famílias, e adotará todas as medidas necessárias à responsabilização dos envolvidos, respeitando o devido processo legal."



