
O Instituto Misturaí, na Vila Planetário, está com vagas abertas para o projeto Gurizadaí, iniciativa voltada ao serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, no contraturno escolar, com atividades gratuitas para jovens de 6 a 15 anos.
A proposta é atender até 80 participantes – 40 por turno – com alimentação, reforço escolar, oficinas culturais e esportivas, além de espaços de convivência. Neste início de ano, porém, apenas 28 inscrições foram confirmadas, e ainda há vagas disponíveis. A expectativa é chegar a pelo menos 50 atendidos (veja abaixo como se inscrever).
O serviço é aberto a jovens de diferentes regiões da cidade, não apenas da Vila Planetário, e foi pensado especialmente para apoiar famílias que precisam de um espaço seguro e estruturado para os filhos enquanto trabalham.
— A ideia é que a criança chegue aqui, almoce, participe das atividades, lanche e volte para casa. É um cuidado integral, cotidiano, que fortalece a família e a comunidade — explica Adriana Queiroz, presidenta da Misturaí.
A estrutura do projeto já está pronta e a equipe atua no atendimento, mas o alcance da iniciativa depende do preenchimento das vagas. Por isso, o instituto convida as famílias interessadas a conhecerem e participarem do Gurizadaí.
"Começou a se enxergar como sujeito social"
Criada em 2018 a partir de iniciativas comunitárias, a Misturaí se consolidou como um ponto de encontro entre urgência social e construção de futuro. Durante a pandemia, a organização ampliou sua atuação ao distribuir refeições para pessoas em situação de rua. A partir daí, o trabalho se expandiu, especialmente com foco em crianças e adolescentes.
As duas filhas de Micaela Koch Schmitt, de 44 anos, participam do projeto Gurizadaí desde a metade de 2023. A busca inicial era por atividades de contraturno e reforço escolar, mas o vínculo construído foi além do esperado.
— Desde o começo, as meninas sempre foram muito bem atendidas. A mais nova tinha dificuldade na leitura e na escrita, e o reforço escolar ajudou muito. Em pouco tempo, a escola já reconhecia o quanto ela tinha evoluído — conta Micaela.
A filha mais nova, antes tímida, passou a se posicionar mais, falar em grupo e interagir com outras crianças e adultos. A mais velha, hoje com 14 anos, encontrou no Gurizadaí um espaço de reconhecimento e participação social.
— Ela entrou com 12 anos e pegou bem essa fase da adolescência. Foi ali que ela começou a se enxergar como sujeito social, a participar e a opinar — relata a mãe.
Esse incentivo levou a adolescente a representar o projeto em espaços de discussão de políticas públicas. No ano passado, participou de debates sobre políticas de assistência social do município e integrou um fórum sobre prevenção à violência e ao abuso infantil, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Além da participação política, o projeto também abriu caminhos por meio do esporte. A jovem pratica judô, participou de competições e conquistou medalhas, tudo com apoio do projeto. O transporte, a alimentação, a inscrição e o quimono foram custeados pela Misturaí.
Para Micaela, o espaço tem ainda um significado mais profundo. Sem rede de apoio em Porto Alegre, ela encontrou ali um suporte que vai além das atividades oferecidas às filhas.
— É um espaço acolhedor, que dá suporte para elas e para mim. Eu só vejo crescimento. É um trabalho que precisa ser valorizado — resume.
Inscrições e voluntariado
O projeto precisa preencher ao menos 22 vagas para chegar a 50 crianças e adolescentes. Saiba como realizar sua inscrição:
- Presencialmente na sede: Rua Santa Terezinha, 711, Casa D, Santana
- Para se tornar um voluntário: basta entrar em contato com Adriana pelo WhatsApp (51) 98023-3892
- Doações por Pix: misturai@gmail.com
* Com supervisão de Émerson Santos e Lou Cardoso




