
A Faculdades EST (antiga Escola Superior de Teologia), em São Leopoldo, no Vale do Sinos, é a única instituição de ensino do Rio Grande do Sul a oferecer o curso de graduação em Musicoterapia.
O bacharelado, que existe desde 2003, funciona no turno da noite na modalidade presencial e conta com carga horária de 3,2 mil horas em oito semestres. Também há necessidade de cumprir estágio.
A instituição privada oferece ainda um projeto na área voltado para crianças e adolescentes com autismo (leia mais abaixo).
O que é musicoterapia?
A coordenadora do curso, Josely de Moraes Antonio Alano, explica que a musicoterapia "é uma terapia de movimento que acontece enquanto se faz música":
— Em outras palavras, é um processo de a pessoa ter a possibilidade de bem-estar e tratamento de transtornos por meio da música.
No Brasil, essa atividade profissional foi regulamentada em 2024 com a Lei Federal nº 14.842, que estabelece critérios de formação específicos para a atuação do musicoterapeuta.
O profissional pode atuar em clínicas particulares ou multidisciplinares, realizar convênios com planos de saúde, trabalhar em hospitais, escolas e empresas, além de penitenciárias, em Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e em organizações da sociedade civil (OSCs).
— Estão atrelados ao nosso curso a Clínica de Musicoterapia, que é aberta a pessoas da comunidade, e o atendimento coletivo, que ocorre nos sábados à tarde e também é aberto à população — acrescenta Josely.
Sessões coletivas
Na Clínica de Musicoterapia funciona o Coral Multiterapêutico do Espelho, que trabalha com pessoas acima dos 16 anos. As sessões musicoterapêuticas são coletivas e simulam ensaios.
— Trabalhamos as músicas de identidade sonora do grupo, decididas sempre no coletivo. Cada pessoa tem a sua necessidade e um objetivo a ser trabalhado. Na preparação de cada canção, ocorrem os processos de autorregulação, autonomia e, em alguns momentos, temos apresentações públicas. Mas sempre com o objetivo terapêutico que mantém a proposta — diz a coordenadora do curso.
Projeto auxilia crianças com autismo
Presidente da Associação de Musicoterapia do Rio Grande do Sul, a musicoterapeuta clínica Graziela Pires da Silva dá aulas na graduação da Faculdades EST, onde coordena, em parceria com a colega Dejeane Arruée, o projeto TEAprochega (antes chamado de Uma Sinfonia Diferente), que auxilia crianças e jovens com autismo. Graziela e Dejeane são conhecidas no meio cultural pelo trabalho autoral no duo 50 Tons de Pretas.
O projeto TEAprochega existe desde 2019, mas a metodologia nasceu em 2015 em Brasília, idealizada pela musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf. Até 2023, essa metodologia foi replicada em território gaúcho. O trabalho englobava crianças e jovens com autismo em grupo para desenvolver comunicação e linguagem.
— A partir de 2024, fizemos uma transição. Nossas crianças cresceram e alteramos a nossa metodologia — explica Graziela. — Passamos a nos chamar TEAprochega e começamos a trabalhar não só a questão do grupo, mas também o viés da expressão artística como parte do processo do tratamento dessas crianças e jovens.
Em 2025, conta ela, foram realizados seis shows em diferentes cidades:
— Não fazemos só seis meses de atendimento e um espetáculo ao final do ano. Incorporamos o espetáculo como parte do processo.
Encontros em três cidades
Os encontros do projeto são semanais e ocorrem em três locais: São Leopoldo (Faculdades EST), Porto Alegre (Instituto Priorit) e Novo Hamburgo (Clínica TEAME). Os espetáculos são agendados de acordo com parcerias e patrocínios.
— A musicoterapia se vale de toda a estrutura do que compõe a música, ou seja, melodia, ritmo, harmonia e sons isolados, para trabalhar questões de desenvolvimento psicológico, psicomotor e habilidades de socialização com crianças e jovens — esclarece Graziela.
Início, meio e fim
O TEAprochega foca crianças e jovens com autismo, mas trabalha também com crianças com síndrome de Down, além de Down com autismo e outras condições.
— Quando falamos em terapia clínica, a alta vai depender dos resultados alcançados com aquele paciente. Mas como o nosso projeto tem início, meio e fim, a alta ocorre no final do ano. E a família decide se a criança voltará para o projeto no ano seguinte — diz.
A musicoterapeuta explica que os participantes têm vários níveis de autismo, alguns não verbais, outros verbais:
— Há famílias que estão há oito anos no projeto. O objetivo é melhorar a vida da pessoa fora da terapia.
Como ajudar
O projeto TEAprochega — Grupo Artístico de Crianças e Jovens com Autismo precisa de apoio de patrocinadores.
O contato pode ser feito pelo telefone (51) 99137-8522 ou pelo e-mail sinfoniadiferenters@gmail.com.




