
Estudantes do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) se reuniram no saguão da escola na manhã desta terça-feira (31) para realizar um ato de solidariedade a colegas. As adolescentes afirmam que fotos suas foram manipuladas por inteligência artificial (IA) para conter teor pornográfico. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia de Crianças e Adolescentes.
Até o momento, duas vítimas foram identificadas. Um aluno do 9ª ano do Ensino Fundamental é o suspeito de manipular e divulgar as imagens. Ele e outros estudantes foram afastados do ambiente escolar por precaução, e realizam atividades remotas.
A diretora da escola deve ser ouvida nessa semana. A polícia apura se houve atos infracionais análogos aos crimes de montagem e divulgação de conteúdo de pornografia infantojuvenil.
Segundo a delegada Alice Fernandes, que está à frente das investigações, ainda não dá pra dizer o alcance dos materiais manipulados. Ela acredita ser possível que mais relatos cheguem nos próximos dias.
Entenda o caso
Segundo a diretora do Colégio de Aplicação, Fernanda Britto da Silva, o caso chegou ao conhecimento da instituição na quinta-feira (26). As alunas relataram que as imagens teriam sido manipuladas com uso de IA por um estudante do 9º ano do Ensino Fundamental.
— Nós tomamos conhecimento a partir da procura das alunas. Acionamos imediatamente a Corregedoria e fizemos o acolhimento das meninas. A investigação será feita por meio desse processo disciplinar — disse.
Na sexta-feira (27), alunos foram afastados de forma cautelar. A diretora afirmou que as informações sobre o processo disciplinar estão sendo mantidas em sigilo, por envolverem menores de idade.
O caso é acompanhado pela Corregedoria da Universidade. A UFRGS informou, por meio de nota, que "desde o primeiro momento, a direção do Colégio, juntamente com o Núcleo de Orientação Educacional, Serviço Social e Psicologia Escolar, iniciou a escuta das estudantes envolvidas, bem como a apuração dos fatos junto aos alunos mencionados".


