
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltará a avaliar o nível do terceiro ano do Ensino Médio no Brasil. O anúncio foi feito pelo ministro Camilo Santana, na noite deste domingo (16), durante coletiva de imprensa para balanço da edição de 2025 da prova. A nova metodologia deve ser utilizada a partir do ano que vem.
Camilo Santana confirmou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável por aplicar o Enem, já fez todos os estudos e preparou a padronização e metodologia para garantir a avaliação anual já em 2026.
O ministro entende que o exame dará um resultado mais confiável sobre a real situação do Ensino Médio brasileiro.
— Primeiro que vai ser todo ano, segundo porque desmotiva o aluno fazer prova do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e depois Enem. A prova do Enem é onde o aluno se dedica mais, estuda mais, e vamos ter um resultado mais eficiente, mais fidedigno. Inep já fez todos os estudos, vamos aplicar isso a partir de 2026 — confirmou.
O Enem foi criado em 1998, durante gestão de Fernando Henrique Cardoso, para avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil. Em 2004, no primeiro governo Lula, o resultado passou a ser usado para acesso em universidades, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni).
Na coletiva, o ministro detalhou ainda que o Saeb continuará a ser aplicado no modelo atual — a cada dois anos, em todas as escolas públicas do país, com provas destinadas aos estudantes dos 5° e 9º anos do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio:
— Vamos querer avaliar anualmente com a prova do Enem. Quando chega no terceiro ano, a motivação do aluno é fazer o Enem. Vamos ter condições de avaliar muito melhor a qualidade do Ensino Médio. Ideia é que o Enem seja a prova de avaliação do Ensino Médio a partir de 2026. Saeb vai continuar, mas para o terceiro ano vai ser o Enem.
O ministro também apresentou dados preliminares sobre a edição de 2025 do exame nacional. Dos 4.811.338 inscritos, aproximadamente 70% compareceram nos dois dias de provas, neste domingo (16) e no anterior. No segundo dia, 1,7 mil candidatos foram eliminados por transgressão ou problemas de comportamento. Os dados consolidados serão divulgados nos próximos dias pelo Inep.
Provas no Mercosul
Outro anúncio feito por Camilo Santana, mas que ainda não está confirmado, é a realização de provas do Enem em português nos países do Mercosul. As inscrições seriam abertas para estudantes brasileiros e estrangeiros, inicialmente em Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Assunção (Paraguai).
Para garantir a realização dos exames no Exterior, ainda é necessário que o Inep conclua estudos de viabilidade da aplicação. Mas, segundo o ministro, a intenção é incluir vagas na prova já na edição de 2026.
— Inep já está estudando e queremos ter dados mais concretos de quanto custaria, quais seriam os locais de aplicação. Tempo é mais curto, mas queremos já aplicar em 2026 — antecipou.
Camilo reforçou também que é preciso fazer uma análise de quantas pessoas estariam interessadas em participar do Enem fora do Brasil, para entender também qual a necessidade de ampliação de vagas em universidades brasileiras.
Ao lado do ministro, o presidente do Inep, Manuel Palácios, elogiou os anúncios, e destacou que corre contra o tempo para garantir os estudos solicitados pelo governo federal.
— Vamos encontrar um bom caminho para atender a essa demanda das provas nos países do Mercosul. Estamos estudando, inclusive, a possibilidade de proporcionar uma aplicação em formato digital nesses países, mas ainda estamos estudando o modelo que vai ser utilizado. Para incluir no edital de 2026, temos que concluir esses estudos até final de março — finalizou.



