
Em um mundo cada vez mais globalizado, saber se expressar e se comunicar em outros idiomas é fundamental. Com isso, vêm crescendo os projetos de educação bilíngue, sobretudo voltados ao português-inglês, com diferentes propostas pedagógicas e programas nas escolas.
A iniciativa permite às crianças aprender em duas línguas e ampliar o vocabulário e a compreensão linguística, desenvolvendo habilidades cognitivas importantes. A educação bilíngue ensina os estudantes a falarem, ouvirem, lerem, escreverem e até pensarem na língua estrangeira.
Esses programas também servem como intercâmbio cultural, conectando os alunos brasileiros a diferentes formas de enxergar o mundo, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem. O domínio de outra língua, em especial o inglês, ainda abre portas para no mercado de trabalho, ampliando as perspectivas profissionais.
Conforme dados do Ministério da Educação (MEC), aumentou em 64% a procura por escolas bilíngues no Brasil entre 2019 e 2023. Assim, para além do ensino de línguas estrangeiras, previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), há opções de programas e instituições bilíngues para complementar o ensino na Educação Básica.
Falamos em inglês com as crianças durante todo o dia.
LARISSA ARIMATÉA
Coordenadora pedagógica da Maple Bear Zona Norte
Escola bilíngue
O ensino bilíngue propõe integrar duas línguas em um único currículo escolar – ou seja, as aulas curriculares são lecionadas em português e em um outro idioma estrangeiro (geralmente o inglês). Segundo especialistas ouvidas pela reportagem, o ideal é que a língua estrangeira seja introduzida o quanto antes, ainda na primeira infância, e o ensino bilíngue facilita esse processo.
— Quanto antes a gente aprende, mais natural é (falar uma segunda língua). Existe um mito de que ensinar inglês antes mesmo da criança falar português pode confundir o cérebro. Existem estudos que comprovam justamente o contrário. O cérebro bilíngue funciona muito mais rápido, o raciocínio é muito mais desenvolvido do que de um cérebro que entenda uma língua só — explica a coordenadora pedagógica da Maple Bear Zona Norte, em Porto Alegre, Larissa Arimatéa.
Nas escolas da rede, que são bilíngues, as crianças aprendem o currículo brasileiro por meio de uma metodologia canadense. Inicialmente, na Educação Infantil, todas as aulas são lecionadas em inglês. Até os quatro anos de idade, os alunos têm 100% da carga horária pedagógica em inglês. Aos cinco anos, começa a alfabetização na língua materna (portuguesa), que passa a ocupar 30% da carga horária.
Quando o estudante ingressa no Ensino Fundamental, as atividades passam a ser lecionadas 50% do tempo em inglês e 50% em português. Aulas de geografia, história e língua portuguesa são lecionadas na língua materna. Já matemática, ciências e inglês são no idioma estrangeiro, bem como música e educação física.
O principal diferencial é a imersão na língua estrangeira, conforme Larissa. Com essas vivências no dia a dia, a criança começa a pensar em inglês e absorve melhor o idioma:
— Falamos em inglês com as crianças durante todo o dia. O tempo todo, indo para o playground, na hora do lanche, caminhando pelos corredores, em saídas pedagógicas.
Programas bilíngues
Também existe a opção de matricular os filhos em uma escola tradicional com um programa bilíngue, em que o valor já está incluso na mensalidade, normalmente. É o caso do Colégio Adventista Marechal Rondon, em Porto Alegre, por exemplo. Há sete anos, a instituição de ensino conta com um programa integrado ao currículo, por meio de parceria com a Sky English.
Nesse caso, os alunos desenvolvem habilidades linguísticas em inglês desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. A diferença em relação às escolas bilíngues é que a maior parte das aulas são lecionadas em português, mesmo para os menores.
— Os alunos têm cinco aulas semanais, com um período em inglês durante 50 minutos todos os dias. Então, o teacher do programa bilíngue entra na sala de aula todos os dias, e fala somente em inglês com eles — diz a coordenadora pedagógica da Educação Infantil até o 2º ano do Fundamental, Camila Moura.

O colégio adota a abordagem Content and Language Integrated Learning (CLIL), ou Aprendizagem Integrada de Conteúdo e Linguagem, em tradução para o português. A metodologia integra o ensino do conteúdo curricular brasileiro com uma língua estrangeira, neste caso, usando o inglês como meio de instrução, e não apenas como disciplina isolada, assim como ocorre em uma escola bilíngue.
— Eu gosto de estudar inglês, sempre faço as tarefas em casa e minha mãe me ajuda. Ainda tenho dificuldade para pronunciar, tenho mais facilidade em escrever — conta a aluna do 5º ano Elisa Sebotaio Rodrigues, 10 anos, da primeira turma bilíngue no Colégio Adventista Marechal Rondon.
O professor de Inglês Sandro Moraes diz que a conversação é importante nessa fase, e que o programa contribui para que os estudantes já cheguem mais avançados no Ensino Médio:
— Nós trabalhamos muito diálogo com eles no 5º ano. Vemos que eles mesmos estão dialogando entre si, conversando em inglês. Isso torna a aprendizagem muito mais fácil quando eles chegam no Ensino Médio, seja para uma interpretação de texto, ou na gramática em si, e inclusive no vestibular.
O objetivo dos programas bilíngues é desenvolver simultaneamente a competência no conteúdo e a proficiência na língua, promovendo um aprendizado natural e cultural, preparando os alunos para o mundo.



