
No início de 2025, Helen Rockenbach, 19 anos, passou por um momento marcante na vida: ingressou no Ensino Superior. O início do curso de Design na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) aconteceu após reflexões sobre qual carreira seguir e quais possibilidades aquela graduação poderia oferecer – processo que contou com o apoio determinante dos pais.
Eles me disseram para eu fazer o que eu gostava e fazia sentido para mim, mesmo que fosse difícil
HELEN ROCKENBACH
Estudante
— Eu penso que o Design talvez não seja uma área tão valorizada, o que pode dar medo do futuro, mas tive todo o incentivo dos meus pais, e isso foi fundamental. Eles me disseram para eu fazer o que eu gostava e fazia sentido para mim, mesmo que fosse difícil — conta a universitária.
Desde criança, a jovem sempre gostou de atividades artísticas, em especial de desenhar. Inspirada no pai, que é analista de sistemas, fez um curso técnico durante o Ensino Médio na área de programação. Agora, na faculdade, junta um pouco das duas coisas.
— Não fiz o técnico por causa do meu pai, mas tive o incentivo dele naquela época e segui tendo quando decidi seguir para uma área mais artística e juntar o útil ao agradável. Tudo fluiu bem — resume Helen.
O pai da estudante, Wanderley Rockenbach, 59 anos, sabia que ela gostava de criar, e entendeu que era importante abraçar esse traço da filha.
— Não adiantava eu chegar e dizer para ela que Medicina seria um bom curso, ou Direito, ou alguma coisa que a gente (família) faz. A gente não consegue direcionar muito esse tipo de coisa. Se tu direciona demais, a pessoa, depois, não vai ficar contente no ambiente de trabalho. Então, como ela sempre gostou muito de criação, desenhos, maquetes e outras coisas, pensou direto no Design — lembra.
A certeza sobre o curso que faria veio após Helen participar do Unisinos Conecta, quando a universidade abre suas portas para que interessados vivenciem um dia de um universitário.
Além do apoio na escolha da área de interesse, Helen relata a importância do apoio dos pais no seu dia a dia.
— Eles sempre veem que eu fico até de madrugada fazendo trabalhos e, sempre que podem me oferecem ajuda. Não exatamente com o trabalho, mas perguntam se eu preciso que eles comprem algum material para a atividade, se eu já jantei, se estou tomando água, se quero que eles façam um chá. Não são todas as pessoas que têm esse privilégio que eu tenho, mas esse apoio é essencial — reconhece.
Diferentemente de outros momentos da vida, durante a faculdade o papel dos pais envolve menos impor regras e rotinas de estudo e mais escutar e dar conselhos, na opinião de Wanderley.
— Até um certo momento, a gente consegue direcionar os nossos filhos para o que a gente quer, mas chega nessa idade, a partir dos 16, 18 anos, e eles querem ter uma vida própria. Aí, temos que ser enfáticos em algumas coisas. A gente estabelece assim: não precisa ajudar em alguma coisa em casa, mas, em compensação, tem que terminar todas as atividades de estudos.
Chega nessa idade, a partir dos 16, 18 anos, e eles querem ter uma vida própria
WANDERLEY ROCKENBACH
A graduanda percebe a diferença no dia a dia na comparação com quando tinha menos de 18 anos e seus pais eram seus responsáveis legais.
— Agora que estou na faculdade, sou responsável por mim mesma e tenho que me virar, e está mais do que certo. Na faculdade, é aquilo: vou te apoiar, mas não vou fazer tudo por ti, porque tu é responsável pelo trabalho. Mas é muito bom ter esse apoio quando as coisas realmente estão difíceis.
Para a universitária, ter uma família presente, que apoia ao longo de toda a vida, é essencial e se reflete em tudo: nas amizades que se faz, nas relações com professores, no andamento da graduação e em tantos outros aspectos.
Acompanhamento desde cedo
Segundo Clarisse Mosmann, professora de Psicologia da Escola de Saúde da Unisinos, o apoio dos pais nessa fase não começa apenas no vestibular, mas é resultado de um acompanhamento ao longo da vida escolar.
— Os alunos, quando eles entram na graduação, eles, na realidade, estão continuando toda a vida escolar que já tiveram. Então, alunos que já têm uma rotina de estudo, de se organizar, ter esses acompanhamentos, terão mais facilidade — afirma a docente.
Para a professora, a transição para o Ensino Superior exige um equilíbrio entre incentivo e autonomia.
— Tu não vai supervisionar uma pessoa que está na faculdade da mesma forma que tu supervisiona uma criança de 10 anos na hora de fazer as tarefas, mas, de qualquer forma, tu vai perguntar como é que estão sendo as coisas na faculdade, se gosta ou não gosta, se tem dificuldade em alguma disciplina, o que é mais desafiador, o que é menos desafiador — explica a psicóloga.
É difícil, com 17 anos, saber o que vai se fazer com toda a vida
CLARISSE MOSMANN
Professora de Psicologia
Clarisse destaca que a função da família é se manter presente, mas sem criar cobranças excessivas.
— Algumas famílias têm expectativas que os filhos façam um curso ou outro e os filhos acabam escolhendo cursos diferentes. É importante não colocar muita expectativa e muita pressão. Às vezes, o jovem escolhe um curso, depois muda de ideia, e isso faz parte do processo de amadurecimento. É difícil, com 17 anos, saber o que vai se fazer com toda a vida — aponta.
O interesse genuíno pela trajetória acadêmica dos filhos é outra recomendação.
— Se interessar, mostrar interesse, é uma coisa muito importante. Mas é se interessar de verdade: daqui a pouco o filho vai fazer um curso sobre o qual a pessoa não conhece nada e é muito positivo, de fato, se interessar em conhecer — ressalta a educadora.
Dicas para os familiares
- Manter o acompanhamento desde cedo: o apoio na graduação é uma continuidade da vida escolar; famílias que já acompanharam tarefas e rotinas de estudo facilitam a adaptação
- Fomentar autonomia e independência: desde a adolescência, os pais devem incentivar os filhos a tomar decisões e assumir responsabilidades, ao mesmo tempo em que oferecem supervisão adequada à idade
- Mostrar interesse real pela vida acadêmica: perguntar como estão as aulas, se há dificuldades, o que está sendo mais desafiador e procurar conhecer o curso escolhido, mesmo que seja uma área desconhecida.
- Oferecer apoio sem pressão: evitar expectativas excessivas sobre desempenho ou sobre o curso escolhido; compreender que mudanças de trajetória fazem parte do amadurecimento
- Equilibrar apoio e liberdade: manter diálogo e presença, mas sem controlar; tratar os filhos como adultos em processo de formação, não como dependentes
- Dar tempo ao tempo: compreender que a adaptação à universidade é um processo, que envolve quatro, cinco ou mais anos, sem exigir resultados imediatos


