
Resolver problemas, transformar lojas em espaços de relacionamento e aproximar universidade, empresas e poder público. Esses foram alguns dos temas que marcaram o segundo dia do 4º Novo Hamburgo Feevale Summit, realizado nesta quarta-feira (16), no Câmpus II da Universidade Feevale.
O evento, que reúne mais de cem palestrantes para discutir inovação aplicada, empreendedorismo e desenvolvimento regional, segue nesta quinta-feira (17), com programação gratuita aberta à comunidade.
Embora tenham abordado temas distintos, os palestrantes convergiram em uma mesma mensagem: inovar vai além da tecnologia e passa por relações, conhecimento e soluções para problemas reais.
Na abertura da programação desta quarta, o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, e o prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck, defenderam a aproximação entre universidades, setor produtivo e poder público como estratégia para impulsionar o desenvolvimento regional. Segundo o reitor, o desafio passa pelo investimento em educação e inovação. Já o prefeito afirmou que iniciativas voltadas à tecnologia têm contribuído para posicionar Novo Hamburgo como referência no tema.
Para a diretora de Inovação da Feevale, Manuela Bruxel, a programação foi pensada para aproximar a inovação de quem normalmente fica fora desse debate:
— Às vezes a gente faz eventos de inovação muito dentro da bolha, para quem já é “catequizado” com a inovação. A ideia foi trazer essa relação com pessoas que possam pensar “Eu também posso inovar, eu também posso ir com esse olhar de inovação”. Queremos trazer mais gente para o movimento da inovação.
A diretora ressalta que o encontro foi pensado para a comunidade, e não apenas para o público acadêmico.
— O evento é para a comunidade, é gratuito. A ideia é que mais gente perceba que pode inovar, venha compartilhar experiências e fazer as conexões necessárias — afirma Manuela.

Diferencial na experiência
A discussão ganhou contornos mais práticos na mesa “O comércio que não vende produtos, vende histórias”, que reuniu o coordenador de Desenvolvimento de Negócios da Fecomércio-RS, Gelson Junqueira; o diretor-executivo da Sicredi Pioneira RS e representante do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, Solon Stahl; e o presidente da CDL Novo Hamburgo, Leonardo Lessa. Em comum, eles defenderam que o varejo precisa oferecer mais do que preço para competir com marketplaces e plataformas digitais.
Para Junqueira, a transformação começa pelo básico. Segundo ele, muitas empresas ainda falham no atendimento ao consumidor, inclusive nos canais digitais.
— A gente tem um marketplace poderoso que compete, sim, com as nossas lojas, a gente não vai dizer que não, mas a gente tem muita oportunidade quando olha para o nosso comércio local. O grande desafio é que a gente não pode errar no básico em 2026 — defendeu o porta-voz da Fecomércio-RS.
Como exemplo, contou que a Fecomércio costuma testar o atendimento de empresas pelo Instagram.
— A gente seleciona 15, 20 empresas da região e manda uma mensagem no Instagram para ver como é o atendimento. É um fiasco. É muito ruim, no sentido de não receber resposta, de não interagir com o cliente, de não ter um atendimento. Ou seja, a gente já começa errando aí.
Na visão dele, isso também mudou o perfil dos profissionais procurados pelas empresas.
— Quando eu perguntei para três gerentes o que buscavam em um vendedor, para minha surpresa, os três me responderam: "Eu quero uma pessoa que saiba fazer relacionamento". Eles buscam o perfil de pessoas, antes de vendedores, pessoas que gostam de pessoas.
Stahl afirmou que, em um cenário em que o consumidor tem dezenas de opções a poucos toques de distância, a escolha por uma marca passa primeiro pela emoção. É o que ele chama de "hospitalidade irracional", baseada em pequenos gestos capazes de criar vínculos.
— O que vai fazer o associado botar o dedinho dele no ícone do Sicredi no celular? É uma decisão emocional, e não racional. A hospitalidade mora nos detalhes. Não precisa de grandes orçamentos. Pequenos mimos podem começar a criar conexões emocionais.
Leonardo Lessa levou a discussão para o varejo local e afirmou que as lojas físicas precisam oferecer experiências que o ambiente digital não entrega.
— O comércio passa a se aproximar de uma experiência. Um exemplo é o vinho: ele é mais barato no supermercado, mas tu não te importa de pagar mais no restaurante, porque o restaurante oferece uma experiência — destaca Lessa.
Como exemplo, Stahl contou que prefere comprar pão em um pequeno mercado de Nova Petrópolis porque os atendentes o conhecem pelo nome e sabem exatamente o produto que costuma levar.
— No grande mercado, eu sou só mais um.
Perseverança
O empresário e campeão mundial de natação Anton Karl Biedermann, de 102 anos, usou uma lembrança das piscinas para falar sobre perseverança. Ao explicar o título do seu livro “50 metros a mais”, contou que quase desistiu durante uma prova até ouvir um conselho que carregou para a vida.
— Me disseram que se eu nadasse 50 metros a mais, eu ganharia. E eu pensei: pô, 50 metros eu aguentava. Nesta vida, em muitas situações, a gente acha que não consegue, mas consegue ir mais um pouquinho, e esse pouquinho pode te levar à vitória.
A programação do Novo Hamburgo Feevale Summit segue nesta quinta, último dia do evento, com palestras sobre reputação de marcas, sustentabilidade, saúde, inteligência artificial, cultura organizacional e empreendedorismo. As atividades são gratuitas e ocorrem no Câmpus II da Universidade Feevale.

