
Mãe pode ser muitas coisas: amiga, professora, confidente, conselheira. E por que não colega de faculdade? No dia 25 de julho, Daniela Scholles (25 anos) e Sandra Scholles (50) se formaram em Psicologia na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo.
A colação de grau coroou uma trajetória marcada por desafios, conquistas e muita parceria. E como não poderia ser diferente, elas terminaram a jornada do mesmo jeito que começaram: juntas.
Onde tudo começou
A dupla começou a sua jornada acadêmica no início de 2019. Ali, mãe e filha foram além do vínculo materno e se tornaram colegas. Mas a história começa antes da primeira matrícula.
— Logo que eu terminei o segundo grau (atual Ensino Médio), eu fiz Pedagogia. Depois de um ou dois semestres, eu vi que não era bem o que eu queria e acabei trancando. Casei, depois tive filhos e esse sonho foi ficando para trás. Só que o que eu realmente queria era a Psicologia – afirmou Sandra.
Os anos passaram e a vida seguiu. Daniela cresceu e, como é de praxe, precisou escolher um caminho após concluir a Educação Básica. O que Sandra não esperava, porém, era que as decisões da filha conversariam tanto com a sua própria trajetória.
— Uma ou duas semanas antes, a gente tinha visto no jornal uma reportagem sobre um pai que tinha se formado com a filha. Daí, ela disse para mim: "Quem sabe tu vem fazer comigo?".
Inicialmente, a ideia pareceu distante. Os anos longe da sala de aula e o investimento necessário tornavam o retorno à universidade um desafio. Ainda assim, o incentivo de Daniela e o apoio financeiro do seu pai a levaram a se abrir para a ideia.
No amadurecer da filha, Sandra encontrou a oportunidade de resgatar um sonho que havia ficado pelo caminho.
Convívio e parceria
Foram anos dividindo não só o teto, mas a mesma sala de aula. O que poderia facilmente acabar em atrito, de acordo com a dupla, resultou em uma relação de muita parceria.
— A aproximação foi uma consequência, né? Nós começamos a passar mais tempo juntas. A própria preocupação de levar um lanche, comprar um café, pegar o chimarrão. A gente combinava e se ajudava nesse sentido — afirma Daniela.
Nos trabalhos em grupo não era diferente. Segundo a jovem, elas sempre tentavam participar dos grupos uma da outra.
— A gente acabou ficando mais unidas ainda com a faculdade. Como a maioria era da idade dela, ela tentava sempre me incluir quando eu não conhecia a turma — explica Sandra.
O que fica da jornada

Mesmo com trajetórias diferentes, o sentimento que uniu mãe e filha no dia da colação de grau foi de conquista, de uma vitória construída em conjunto.
— É algo que vai ficar marcado por ter sido juntas. As pessoas já têm esse momento como um marco muito grande. No nosso caso, mais ainda por tudo que a gente construiu — afirma Daniela.
Naturalmente, o percurso teve obstáculos. Mãe e filha não deixaram de trabalhar em nenhum momento, sendo preciso conciliar diversas demandas ao mesmo tempo. Mas, são justamente as dificuldades que tornaram o diploma tão significativo.
— Para mim, foi a realização de um sonho que eu tinha guardado há muito tempo. Não existem palavras que descrevam tudo que eu senti naquele momento. Foi maravilhoso tudo que a gente passou e é indescritível ter sido juntas — conta Sandra.
*Sob orientação e supervisão da jornalista Juliana Lisboa




