Quem são os professores de Ensino Superior em atuação no Rio Grande do Sul? Dados do Censo da Educação Superior de 2024, o mais recente disponível, mostram que mulheres já são mais da metade, brancos compõem a maioria e a idade média é de 46 anos.
No que diz respeito ao gênero, uma transformação vem ocorrendo nos últimos anos: em 2024, as mulheres chegaram a 51% dos 20,6 mil professores dessa etapa de ensino no Estado, e os homens representavam 49%. Dez anos antes, em 2014, o cenário era diferente: elas eram 48%, e eles, quase 52%.
Quanto ao perfil étnico-racial, a pesquisa revela que pretos, pardos e indígenas são minoria entre professores do Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Juntos, esses grupos representam 4,1% do quadro docente. Quase 85% dos professores em exercício são brancos, e somente 0,2% são amarelos.
Não há informação étnico-racial sobre 11,1% dos professores, uma vez que os dados são fornecidos pelas próprias instituições de ensino. Se desprezado esse percentual não informado, os professores brancos são 95,2%, os pretos, pardos e indígenas somam 4,5%, e os amarelos representam 0,3%.
Os estrangeiros também representam uma pequena parcela: 1,4% dos professores no Ensino Superior no Rio Grande do Sul.
O Censo da Educação Superior é produzido anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgado pelo Ministério da Educação (MEC).
Trabalho em tempo integral predomina
A pesquisa mostra que boa parte dos professores atua em regime integral (62,2%). Outros 20,5% atuam em regime de dedicação parcial, e o restante como horistas (17,3%).
Quanto à rede de ensino, mais da metade dos professores (50,9%) está na federal. A menor rede é a estadual: somente 1,2% dos professores atuam na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).
Quase 11% estão concentrados na rede privada, em instituições com fins lucrativos, e outros 37% em instituições sem fins lucrativos, como as universidades comunitárias.
Obstáculos para as mulheres persistem

Apesar do aumento da presença das mulheres no Ensino Superior no Rio Grande do Sul, elas ainda enfrentam desafios.
Para a professora Iana Gomes de Lima, 41 anos, que atua na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 2019, é uma "luta diária".
— Enquanto um homem fala uma vez e as pessoas acreditam no que ele está falando, nós, mulheres, muitas vezes precisamos falar cinco, seis vezes para sermos ouvidas. Mesmo na Educação, uma área majoritariamente feminina, temos muitos espaços onde os professores universitários homens também estão presentes, e galgar esses espaços nem sempre é fácil — afirma.
Sonho de ser professora
Iana dedicou a vida à docência. Desde pequena brincava de ser professora, e logo que concluiu a trajetória escolar foi atrás do sonho.
— Sempre brinquei com isso. Eu tinha meus alunos, minhas alunas, brincava com a minha avó. Então, fiz formação em Pedagogia na UFRGS. Desde quando eu estava na faculdade, já pensava que queria ser professora universitária. Mas eu não queria ir para essa área sem antes pisar na escola — relata.
Por isso, Iana dedicou alguns anos à Educação Básica, atuando como professora em uma escola particular de Porto Alegre. Conta que foi uma das grandes experiências de sua vida. Agora, pretende seguir pesquisando e, em breve, ingressar no corpo docente da pós-graduação.
Focada em políticas públicas educacionais, atualmente a professora pesquisa sobre conservadorismo na educação. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, ela fez parte de sua formação na Universidade de Bristol, na Inglaterra.

Desafios da profissão
Na visão de quem atua no Ensino Superior, o professor exerce um papel que vai muito além da transmissão de conteúdo. Ele é mediador do conhecimento e responsável por estimular a aprendizagem e engajar os alunos, segundo a professora Gabriela Kniphoff da Silva Lawisch, 40 anos, da Universidade do Vale do Taquari (Univates), em Lajeado.
— É uma profissão que te desafia. Não adianta seguir dando aula e propondo as mesmas atividades todo semestre. A condução e as próprias atividades precisam ser repensadas a todo momento. Isso vai te desacomodando no sentido de te fazer refletir e utilizar novas metodologias e ferramentas. Até para se aproximar dos alunos e contribuir para esse processo de ensino e aprendizagem — destaca.
Biomédica e doutora em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS, Gabriela é professora em cursos na área da Saúde na Univates e, atualmente, também é diretora de graduação da universidade. Atua como horista, mas, ao longo dos anos, foi acumulando mais atividades.
— Fui ampliando minha carga horária e me envolvendo cada vez mais nessa experiência de docente. Tanto que agora estou em uma função de gestão. Mas faço questão de continuar dentro da sala de aula, porque é algo que me realiza, que eu gosto muito de fazer — conta.
Realização pessoal
A professora começou a lecionar na Univates em 2012, e pretende seguir na área. Assim como o professor Alexsandro Linck, da Universidade La Salle (Unilasalle), em Canoas. Com 48 anos, é coordenador do curso de Direito, onde atua desde 2019.
Ele relata que a docência é uma realização pessoal e que pretende seguir se dedicando à carreira de professor, embora tenha uma rotina agitada para conciliar os serviços: como atua em regime de tempo parcial na Unilasalle, divide as atividades com o trabalho em um escritório de advocacia do qual é sócio. Ele atua na área há 25 anos. Além disso, tem dois filhos.
— É uma rotina bem puxada para conciliar essas duas atividades (ensino e advocacia). Existe um sacrifício pessoal também, que é o fato de eu ter um período mais reduzido de convivência com a minha filha menor, de 8 anos. Três dias da semana eu chego em casa muito tarde, e ela já está dormindo nesse horário — diz.
Mesmo assim, Linck afirma que a docência é uma atividade gratificante, que recompensa esse esforço.
— O grande motivador não é a questão financeira, mas sim o gosto por estar em sala de aula, por conviver com as pessoas. A docência nos instiga a estar sempre estudando, sempre nos atualizando — conclui.




