
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) passa a oferecer, neste ano, bacharelado em Nanotecnologia e Inovação Computacional. O curso, vinculado ao Departamento de Física, foca no desenvolvimento de tecnologias para áreas como inteligência artificial (IA), agronegócio e saúde. A nova formação já estreou com alta procura: foram 374 inscrições para as 15 vagas ofertadas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
A graduação tem carga horária de 2.400 horas e duração mínima de sete semestres. A proposta é suprir a demanda por profissionais com formação interdisciplinar, que saibam unir a criação de materiais com soluções digitais avançadas.
— O curso surge para suprir essa lacuna, formando profissionais com perfil empreendedor e sólida base científica para lidar com problemas complexos onde a especialização excessiva é limitante — pontua o professor e coordenador da graduação, José Carlos Merino Mombach.
O que se estuda na prática
O curso combina o estudo da física com métodos avançados de computação. Segundo Mombach, a nanotecnologia permite manipular materiais na escala de átomos e moléculas, enquanto a inovação computacional utiliza IA e computação quântica para resolver desafios tecnológicos. Os alunos vão dividir o tempo entre laboratórios e programação.
— O aluno estuda física, programação e matemática, desenvolve simulações de materiais, aprende técnicas de laboratório, trabalha com aprendizado de máquina e participa de projetos em equipe voltados a soluções reais — detalha o coordenador.
A inteligência artificial terá papel central na grade curricular:
— A IA aparece como ferramenta e como objetivo formativo. O curso possui disciplinas voltadas principalmente para aplicações em nanotecnologia e biotecnologia, permitindo ao aluno criar soluções inteligentes para análise de dados e desenvolvimento de materiais — esclarece Mombach.
Do campo ao mercado de startups
As aplicações práticas do que será desenvolvido em sala de aula e nos laboratórios do Centro de Ciências Naturais e Exatas são vastas. Os estudantes serão capacitados para criar sensores voltados à agricultura, novos materiais, sistemas de diagnóstico e softwares baseados em algoritmos clássicos e quânticos.
Questionado se os egressos podem ser entendidos como "arquitetos das tecnologias do futuro", Mombach confirma a visão:
— Sim. O egresso será capaz de gerar patentes, novos softwares e aplicações tecnológicas, com visão empreendedora e interdisciplinar, características típicas de profissionais que projetam soluções para o futuro.
Além de atuar na indústria e em laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), há incentivo para que os alunos criem suas próprias startups. O curso prevê integração com a Pró-Reitoria de Inovação e o programa Eleva Start, garantindo que projetos acadêmicos se transformem em negócios reais no ecossistema de Santa Maria e região.
*Sob supervisão de Juliana Lisboa



