
Boa parte dos jovens pretende ingressar no Ensino Superior, mas a falta de recursos é a principal barreira de acesso às instituições de ensino. É o que mostra um estudo do Instituto Semesp, centro dedicado à produção de dados sobre a etapa.
A segunda edição da pesquisa revela que o interesse dos brasileiros em cursar uma graduação permanece alto: 78% dos entrevistados afirmaram que têm intenção de ingressar no Ensino Superior. O interesse é maior entre os mais jovens: 87,5% dos participantes com até 24 anos, contra 74,1% entre os maiores de 25 anos.
O levantamento demonstra que a educação superior continua sendo um diferencial importante para os brasileiros, segundo o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.
— Essa afirmação de que o Ensino Superior está perdendo valor para os jovens é um mito. Essa etapa de ensino ainda é um sonho para os jovens. Mesmo aqueles que não sabem se vão cursar, ou que não pretendem cursar uma graduação, é muito mais uma questão financeira do que por achar que não vale a pena — afirma o diretor-executivo da entidade, que representa as mantenedoras de Ensino Superior no Brasil.
O estudo indica que as condições econômicas ainda são o principal entrave para os jovens que não ingressaram ou não têm planos de cursar uma graduação. Entre os entrevistados que não pretendem ingressar – 3,9% com até 24 anos, e 11,3% com 25 anos ou mais – os motivos mais apontados foram necessidade de trabalhar, falta de recursos financeiros e falta de tempo.
Os dados reforçam que o desejo de cursar o Ensino Superior é mais intenso entre os mais jovens, no início da vida profissional. Já os adultos demonstram maior seletividade e preocupação com custo, tempo e retorno financeiro da formação.
Falta de recursos
Considerando todos os entrevistados na pesquisa, a falta de dinheiro aparece como o maior impasse para cursar uma graduação, mencionada por 65% dos respondentes. Em seguida, 41,5% apontaram a falta de tempo como barreira para continuar os estudos, divididos entre trabalho, família e outras responsabilidades.
Outros motivos citados incluem dúvidas sobre qual curso escolher (20,3%), escassez de informações sobre opções e bolsas (18,9%), falta de motivação (16,3%) e dificuldade de acesso físico, especialmente em cidades pequenas ou com oferta limitada de transporte (16%).
Um grupo menor indicou incerteza sobre o retorno do investimento (5,3%), enquanto 1% assinalou outros motivos. A maior parte dos participantes da pesquisa (79,1%) exerce alguma atividade remunerada, e 67,1% têm renda familiar de até R$ 5 mil. Em relação ao investimento, a maioria declarou estar disposta a pagar até R$ 1 mil por mês em um curso superior.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Semesp em outubro de 2025, com mais de 2 mil respondentes de todas as regiões do país. Os participantes têm entre 16 e 45 anos, Ensino Médio completo ou incompleto que ainda não ingressou no Ensino Superior. A pesquisa apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Preferência pelo presencial e semipresencial
Na contramão do crescimento da Educação a Distância (EAD), a pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros (50,4%) prefere cursos presenciais, principalmente os jovens (57,6% daqueles com até 24 anos). Nessa mesma faixa etária, o formato semipresencial aparece como segunda preferência, para 19% dos respondentes, seguido pelo EAD (9,5%).
Segundo Capelato, a modalidade semipresencial tende a crescer nos próximos anos.
— Mesmo sendo uma novidade, muitos já querem o semipresencial. Na prática, muitos estudantes ingressam na EAD por falta de opção, sendo que a preferência deles é pelo presencial ou semipresencial. Mas presencialidade significa custo mais alto e valores mais elevados de mensalidade. Por isso, se a gente quer aumentar a presença dos jovens no Ensino Superior, precisamos garantir políticas de acesso — destaca o diretor executivo.
Impacto da IA
A pesquisa também mostra uma percepção positiva sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no aprendizado e no mercado de trabalho. O levantamento revela uma percepção amplamente positiva sobre a tecnologia: a maioria dos respondentes acredita que ela melhora o aprendizado e torna o estudo mais eficiente.
Para Capelato, o uso da IA tende a ser um diferencial competitivo, tanto no aprendizado quanto na inserção profissional. Mas isso requer formação crítica e ética para garantir o uso responsável da tecnologia:
— É muito importante que isso vire uma política, não só porque a gente precisa que os profissionais do futuro dominem a IA, como também para diminuir a desigualdade que a tecnologia traz — destaca.





