
Ao longo de 2025, o Rio Grande do Sul (RS) ganhou sete novos cursos de Ensino Superior focados em inteligência artificial (IA). Depois do surgimento de cursos de pós-graduação, agora, a IA tem ganhado espaço também no bacharelado, com maior aprofundamento do tema.
As universidades gaúchas vêm apostando em formações dedicadas à tecnologia por conta de uma demanda do mercado de trabalho. Veja, abaixo, quais são os novos cursos ofertados:
- Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos): bacharelado presencial em São Leopoldo, com duração de 4 anos
- Universidade de Caxias do Sul (UCS): bacharelado presencial em Caxias do Sul, com duração de 4 anos
- Universidade Franciscana (UFN): bacharelado presencial em Santa Maria, com duração de 4 anos
- Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS (Unijuí): bacharelado presencial em Ijuí, com duração de 5 anos
- Universidade La Salle (Unilasalle): bacharelado presencial em Canoas, com duração de 4 anos
- Universidade Luterana do Brasil (Ulbra): curso tecnológico EAD, com duração de 5 semestres
- Universidade do Vale do Taquari (Univates): curso tecnológico semipresencial, com duração de 5 semestres
As instituições buscam promover profundidade acadêmica, prática tecnológica e integração com os ecossistemas regionais de inovação. Os cursos se somam aos que já estavam em andamento no RS, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ambos com duração de 4 anos. A graduação da UFSM é ofertada presencialmente no campus de Cachoeira do Sul.
Demanda no mercado de trabalho
O conhecimento em tecnologia é cada vez mais exigido no mercado de trabalho, uma vez que as organizações vêm incorporando a IA nas rotinas de trabalho. Conforme relatório divulgado pela Microsoft e LinkedIn, 71% dos executivos entrevistados preferem contratar profissionais com habilidades em IA, mesmo que tenham menos experiência.
Foi isso que motivou a abertura do curso da Univates, por exemplo, segundo o coordenador da formação, Evandro Franzen:
— Nós já temos hoje na área de TI (Tecnologia da Informação) os cursos de Engenharia de Software, Engenharia da Computação e Análise de Desenvolvimento de Sistemas, mas a gente entendeu que era importante trazer um curso que prepare o profissional para implantar sistemas baseados em inteligência artificial. As empresas ainda não estão conseguindo utilizar a IA plenamente, de forma integrada aos seus processos.
Assim, o intuito é formar pessoas preparadas para contribuírem com essa transformação digital dentro das organizações, trazendo melhorias e maior produtividade.
— A ideia é formar um profissional que compreenda a parte técnica, mas também tenha essa visão dos problemas do negócio e saiba como implantar a IA, como desenvolver aplicações, e não apenas utilizar. O que tem acontecido muito é que as pessoas passaram a utilizar muito esses softwares mais comuns, como GPT, mas não sabem como integrar dentro da empresa e identificar oportunidades — destaca Franzen.
Por isso, o currículo aborda não apenas questões de IA, mas também o uso ético da tecnologia e soluções práticas, abordando casos concretos. A graduação tecnológica semipresencial tem duração de dois anos e meio, com 50% de carga horária obrigatória presencial.
A Unisinos apostou em outra proposta – a instituição lançou, recentemente, um bacharelado de quatro anos focado na tecnologia.
— Não dá mais para tratar a IA como um pedacinho da Ciência da Computação. Ela é uma área muito grande, que tem todo um conteúdo à parte, e que precisamos de profissionais que estudem especificamente isso, surgiu essa necessidade — destaca o coordenador do curso da Unisinos, Mateus Raeder.
A ideia é que os alunos não apenas utilizem tecnologias criadas por outras pessoas, mas aprendam a conceber soluções completas, incluindo armazenamento e processamento de dados, até a distribuição de modelos que façam a diferença em âmbito acadêmico e na sociedade.
— Tem a divisão computacional, processamento de linguagem natural, Edge AI, ali na borda da infraestrutura, são algumas das disciplinas. Não é um currículo muito fechado, porque é uma área que sempre muitas atualizações e novidades — diz o professor.
O que o estudante aprende
Uma vez que são recentes, os cursos envolvendo IA ainda não contam com referenciais nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Ministério da Educação (MEC). Para construir os currículos, as instituições se baseiam em orientações da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
Em geral, essas graduações são semelhantes aos cursos de Ciência da Computação, que já possuem disciplinas voltadas à IA e seus mecanismos. No entanto, são mais completos e direcionados para quem busca atuar nessa área específica, unindo computação, ciência de dados e conhecimentos ligados à IA.
Fundamentos da computação, deep learning, processamento de linguagens neurais, aprendizagem de máquina, algoritmo, engenharia de software, estatística e matemática estão entre os temas abordados nos currículos.



