
O "lagarto do Ozempic" virou assunto nas redes sociais após ser abordado no segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. Neste domingo (16), os estudantes receberam uma questão que tratou do monstro-de-gila (heloderma suspectum), um réptil norte-americano que foi indiretamente associado a medicamentos populares, como Ozempic e Monjauro.
Isso porque sua toxina inspirou pesquisas que resultaram em fármacos modernos usados no tratamento de diabetes do tipo 2. Nas redes sociais, a imagem do animal viralizou. A comoção, porém, pouco tinha a ver com o conteúdo da pergunta: apesar da menção a moléculas estudadas pela indústria farmacêutica, a resolução dependia apenas de conhecimento básico sobre biomas brasileiros.
O que dizia a questão
O texto de apoio do exame explicava a origem do monstro-de-gila, mencionava sua digestão extremamente lenta e a importância farmacológica do veneno, do qual faz parte a molécula exendina-4, base para a criação da exenatida, medicação usada no tratamento do diabetes tipo 2.
Essa contextualização não exigia que o estudante soubesse detalhes sobre remédios como Ozempic, Wegovy ou Mounjaro. A referência aos medicamentos aparecia apenas no crédito do texto, o que levou muitos candidatos a acreditar que a cobrança seria mais complexa.
Na prática, bastava reconhecer que, entre as opções apresentadas, o bioma brasileiro, com clima seco e vegetação adaptada à aridez, correspondia à caatinga. A comparação ambiental com o deserto norte-americano era o ponto central.
O que é o monstro-de-gila
O monstro-de-gila é um dos poucos lagartos venenosos do mundo. Habita áreas áridas e semiáridas do noroeste do México e do sudoeste dos Estados Unidos. Para suportar o calor extremo, costuma permanecer em tocas durante o verão e hiberna no inverno.
Descrito pelo Instituto Butantan como um predador de aves, roedores, pequenos lagartos e ovos, o monstro-de-gila é capaz de ingerir até metade do próprio peso em uma única refeição e permanecer meses sem se alimentar graças ao metabolismo desacelerado, característica que motivou o interesse científico sobre seu veneno.
Apesar da mordida dolorosa e potencialmente perigosa, é considerado um animal de grande interesse biológico. Pesquisas recentes indicam que o habitat da espécie pode encolher nas próximas décadas em razão das mudanças climáticas. O monstro-de-gila não ocorre no Brasil e é protegido por lei nos Estados Unidos.
Como o veneno inspirou medicamentos modernos
A molécula exendina-4, presente na toxina do animal, imita a ação do hormônio humano GLP-1, responsável por estimular a liberação de insulina. A partir dessa descoberta, pesquisadores desenvolveram a exenatida, usada no controle do diabetes tipo 2.
Embora tenha relação indireta com fármacos conhecidos do público, a substância não é o Ozempic. A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e de outros medicamentos indicados para diabetes e obesidade, é uma molécula totalmente sintética, criada posteriormente, mas que atua no mesmo receptor hormonal.




