
Candidatos que fariam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 no prédio que pegou fogo na quarta-feira (5) em Porto Alegre foram realocados e tiveram dificuldades para fazer a prova. Neste domingo (9), primeiro dia de provas, houve atraso no início do exame no Instituto Estadual Rio Branco, local alternativo de prova para quem faria a avaliação no Edifício Phoenix, atingido pelas chamas nesta semana no Centro Histórico.
Segundo participantes do Enem e familiares, houve confusão com a organização e a capacidade das salas no colégio estadual. De acordo com relatos dos pais que acompanham a situação, os estudantes ficaram até as 20h30min fazendo a prova, uma vez que iniciou somente às 15h.
O início das provas estava previsto para 13h30min em todo o país, com término marcado para 19h. Após o fechamento oficial dos portões, às 13h, os candidatos que estavam no Instituto Estadual Rio Branco ficaram uma hora reunidos no pátio esperando a organização das salas para fazer o exame.
— Imagina, desde as 12 horas aqui. A direção da escola se desdobrou tentando contato com o Inep, que não atendia às ligações — conta Miriane Oliveira da Silva, 47, mãe de uma estudante que foi transferida para o local.
Sua filha, de 18 anos, quer estudar Medicina e foi contemplada com uma bolsa de estudos em um cursinho pré-vestibular da Capital. Ela passou o ano inteiro se preparando, com "muita dedicação, estudos, resiliência e foco".
De tarde, o Ministério da Educação (MEC) informou que tomou conhecimento da situação e "todos foram alocados a tempo e estão fazendo a prova normalmente", e que foi um problema de logística, pela mudança de local. A reportagem de Zero Hora tentou contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mas não obteve mais informações até a publicação desta reportagem.
Inseguranças
O ocorrido gerou frustração e ansiedade nos candidatos, que não sabiam se teriam condições de fazer a prova. A prova começou por volta das 15h no Instituto Estadual Rio Branco, até que a situação das salas fosse resolvida e todos pudessem iniciar ao mesmo tempo.
— A escola não tinha a relação dos alunos com a sala que eles deveriam fazer a prova, aí causou toda essa confusão de atraso de uma hora e meia. Imagina, a pessoa chega lá e não tem a sala preparada para começar no horário, não sabe o que vai acontecer, não sabe se vai fazer a prova, ninguém dá resposta. É uma loucura — diz Claudete Carvalho, de 60 anos, mãe de um aluno que fez o exame no local.
Conforme Dayane Nisti, sua filha deixou o local de prova às 20h30min. Ela afirma que o número da sala que constava no documento oficial não era o número correspondente na escola, e esse foi o motivo da confusão.
— Ela saiu do Enem ainda bem cansada e chorando depois de tudo que ocorreu, por causa do atraso — relata.
No início da tarde, Emerson Nunes da Silva, 49, saiu de dentro do local de prova acompanhado de outros pais que acompanhavam de perto a situação.
— Ela veio do Centro e não tinha a sala certa. A sala era um número lá e outro número aqui, aí teve confusão. Eles tiveram que realocar — comentou Silva, pai de uma menina de 17 anos que fez a prova pela primeira vez.
De acordo com os relatos, os candidatos foram notificados na sexta-feira (7) sobre a transferência do local de prova.



